ABRA SUA MENTE



Fecha teus olhos,abre tua mente e teu coração para a Verdade ...,porque

Ela pode ser invisível aos olhos humanos.Mas não aos olhos da sua consciência







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sábado, 15 de junho de 2013

XAMANISMO/parte 2

Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.

 

O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.

Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.

O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.

 


O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.

O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.



o xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :

A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática

A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo

Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.

O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.

Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo

Interação com espíritos da natureza

Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)

Conhecimento sobre o fogo

Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)

Canções de Poder

Danças

Respiratórios e dietas

Contação de histórias, preleições.





O Xamanismo como a mais antiga prática espiritual da humanidade tem como base em suas práticas o respeito pela ecologia, reconhecimento do Sagrado, necessidade de expandir a consciência e obter resposta em mundos paralelos, prática do amor incondicional . Suas práticas estabelecem contato com outros planos de consciência a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.

A interação harmônica dos elementos equilibra a Jornada da Nossa Alma, faz girar a Roda da Vida em harmonia. No xamanismo praticado na atualidade estudamos os talentos elementais:

A Terra é relacionada com o corpo físico e com as sensações.

A Água é relacionada com a alma e com as emoções e sentimentos.

O ar é relacionado com a mente e aos pensamentos e idéias.

O fogo é relacionado com o espírito e associado à consciência, a claridade, a inspirarão.
O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão de que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado nas práticas xamânicas das diversas tradições do planeta para os dias atuais. Assim, pretendemos contribuir para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo e resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecológicamente correta.

Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres, pedras, plantas, animais, pássaros, peixes e até insetos.Para garantir sua sobrevivência em ambiente hostil os homens primitivos interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, manifestações da natureza, vento, chuva, etc.



Os caminhos do xamanismo são espirituais. A prática xamânica compreende a capacidade de entrar e sair de estados de consciência, de realidades não-ordinárias Os estados alterados de consciência não envolvem apenas o transe e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, promover curas, oráculos.





Os estados alterados de consciência incluem vários graus. Stanley Kryppner chega a classificar vinte estados diferentes de consciência. Elíade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc.,também são nomes para a mesma manifestação.

São através desses estados que conseguimos conexão com nossos mitos, símbolos, nossa verdade interior. Conseguimos expandir a percepção para mistérios que estão guardados em nós mesmos. Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia.Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária não conseguimos alcançar níveis profundos do nosso ser. Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência, dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder (enteógenos), respirações, posturas corporais, e outros.

Através desses estados especiais alcança-se uma experiência divina, acessa-se uma fonte de Sabedoria Superior, podemos curar nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões, expandimos a nossa consciência.

Aprende-se as influências e forças da Terra e como as energias naturais afetam a vida. Tudo na natureza cresce e muda. É um ciclo. Os povos antigos consideravam a viagem circular da Terra ao redor do Sol, uma roda, representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento, maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e novamente renascimento, refletido na vida humana e na natureza.

Os nativos reconhecem o círculo como o principal símbolo para o entendimento dos mistérios da vida. Observaram que ele estava impresso em toda a natureza. O homem olha o mundo através dos olhos que é um círculo. A Terra, a Lua, o Sol, os planetas; são todos circulares. O nascer e o por do Sol acompanham um movimento circular. As estações formam um círculo. Os pássaros constroem ninhos em círculos, animais marcam seus territórios em círculos. As cabanas, ocas, tipis são circulares.

O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas "Forças Verdadeira acessadas desde o princípio na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentí-las atuando em todos os momentos das cerimônias.

Podemos sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida, nos tornarmos parte de uma comunidade global, propomos o Vôo da Consciência em busca de novos horizontes, de novas conquistas, de um novo ser, de uma nova vida. O início de uma vida pautada na sabedoria encontrada nas folhas, nos movimentos dos ventos, no poder transformador do fogo, nos espíritos ancestrais, na jornada da alma, na missão.

As religiões do mundo moderno não têm tempo para a ecologia espiritual assim como a cultura e o modelo de pensamento consumista atuante. As Grandes Religiões inspiram e apontam para uma vida eterna fora deste planeta e pouco se preocupam em honrar as realidades do espaço sagrado em que vivemos. Atualmente muitos vivem com uma sensação de separação, isolamento, um sentimento de que deva existir um sentido maior na vida. Os rituais xamânicos podem trazer a consciência de somos apenas um "microcosmo", que somos parte de "algo maior", que somos filhos da Terra, parte de uma Terra Viva.

Harmonia - Amor - Paz e Luz


Léo Artése /FONTE

OQUE É XAMANISMO?













A Busca de uma Definição



Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas,
outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.

O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes
responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem
primitivo, no paleolítico.

A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas
no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade.
Não pode haver fronteiras.

A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais.

Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.

As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase
tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos,
na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também n
a África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria,
Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo
Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.





Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.

Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.







Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado, Shamanism:The Beginnings Of The Art.



A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.

O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.

Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.

Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.
No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.

Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.

O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.

A CACHOEIRA DA MAMÃE OXUM É TÃO BONITA QUE DÁ GOSTO VER


A CACHOEIRA DA MAMÃE OXUM
É TÃO BONITA QUE DÁ GOSTO VER [2X]

AS ÁGUAS ROLAM
AS ÁGUAS BRILHAM
MAS QUE BELEZA MINHA MÃE
QUE MARAVILHA [2X]

[refrão]
AIEIEU MINHA MÃE
ME LEVA NOS BRAÇOS AIEIEU [2X]
[/refrão] Este ponto é o mais conhecido da nossa querida Mãe Oxum



Com sua força e beleza majestosa, as cachoeiras de Oxum, nos energiza e nos dão um grande
axé







Felizes são aqueles que ainda podem, todo ano, tomar seu banho de cachoeira e se emantar
nas águas puras e cristalinas.

ORIXÁ EXU,O TRONO DA VITALIDADE

 




Sabemos que Deus é um só manifesto por meio de muitos nomes diferentes, que implicam culturas e formas diversas de entendimento e concepção do que Ele vem a ser. Também podemos caracterizar este fato como essência e forma, Deus é “Essencia” que se manifesta por diferentes “Formas”, segundo a cultura e o perfil
coletivo e individual. Por esta razão é tão importante que hajam muitas religiões, pois cada uma atende umas maneira diversa de entender e expressar a realidade em que vivemos e o sagrado que permeia esta realidade.








As formas mudam e assim podemos dizer que uma forma não é igual a outra
ou que são “coisas” distintas, sem medo de errar, mas ao mesmo tempo são
de mesma essência.

Poderão dizer que Alá é diferente de Adonai e
este de Braman, Tupã, Olorum, Ptah, Wakan Tanka, Jah… sim são
diferentes na forma, desde a diferença na lingua e cultura de origem até
a diferença ritual e doutrinaria de cada religião se conectar ou
relacionar-se com Deus, por estas formas variadas. Logo UM não é a
“mesma coisa” que OUTRO, mas guardam a mesma “essência primeira” e
“original”.
É Deus em suas variadas formas, em todos os casos acima e muitos outros estamos nos referindo ao mesmo “Principio – Essência”.

Com
as Divindades de Deus se dá o mesmo fenômeno, uma mesma essência se
manifesta por formas e culturas variadas, se assim não fosse a cada
religião criada pelo homem Deus haveria de criar novas Divindades.
Logo
não são “culturalmente” as mesmas, mas guardam uma mesma essência, uma
mesma origem comum, a que podemos chamar de “Tronos de Deus”.
O que aqui tem o significado de “Divindades de Deus” em sua forma pura, na essência, em Deus, antes da nomeação e aculturação de cada um com nomes e formas.
O termo “Trono” já existe na cultura Judaico-cristã, mas aqui foi “re-significado” para identificar a Divindade em sua essência original, que em cada cultura recebe diferentes nomes e formas.














O maior mitólogo que tenho conhecimento chama-se Joseph Campbell e em seus trabalhos afirma que “os mitos se repetem nas culturas diversas”, o homem os repete pois eles trazem “chaves de interpretação” de nossa realidade.

Quando um mito se repete ele apresenta um mesmo arquétipo, perfil ou qualidade, segundo um dos mais importantes Mestres da Psicologia Carl Gustav Jung estes arquétipos estão no inconsciente coletivo, ou seja em uma “memória inconsciente” que não pertence a ninguém e ao mesmo tempo pertence a todos. Em diferentes culturas se apresentam os mesmos arquétipos.

Mircea Eliade o maior de todos os pesquisadores e estudiosos de História das Religiões de forma comparada, afirma que os “fatos religiosos” se repetem ao infinito.

Estas repetições se dão porque tudo tem uma mesma origem divina que se repete nas diversas culturas, o que vem do alto se multiplica no meio, Rubens Saraceni e Pai Benedito afirma quem “Deus cria e se multiplica o tempo todo”, “Deus cria em si e a partir de si, em si mesmo Ele cria as Divindades e a partir de si cria os seres em evolução e suas realidades ou mundos”, ao mesmo tempo ele está em tudo e todos pois: “somos uma parte d’Ele e Ele é, todos nós, por inteiro”.







Alguns Umbandistas do passado acreditavam que a origem comum dos “fatos religiosos” que se repetem estava no mundo objetivo e cultural, daí surgiu a teoria do AUMBANDÃ (Primeiro Congresso de Umbanda 1941), como fonte original de todas as religiões a ser restaurada pela Umbanda. A “constatação” do que seria um fato se deu por reconhecer que a Umbanda faz repetir o que já se praticava nas mais diversas religiões. A repetição se dá de forma natural pois a origem é divina, dos dons, arquétipos, divindades assim como das chaves de interpretação dos mitos que revelam e ocultam ao mesmo tempo os mistérios do Macro (Deus) e do Micro (Homen).

Como os estudos de religião e a interpretação dos fatos religiosos evoluem, surgem novas formas de abordar e interpretar os mistérios, de dentro para fora da religião e de fora para dentro da mesma. Assim temos olhares de história, sociologia, antropologia… e teologia para estudar estes fenômenos.



ambém surgem novas palavras para definir novos conceitos até então inéditos, como os exemplos abaixo:

Panenteismo
Há uma diferença entre afirmar que “Tudo é Deus” e afirmar que “Deus está em Tudo”, a primeira afirmação se define por “Panteismo” a segunda ganhou um neo-logismo chamado “Panenteismo”, podemos dizer que nós Umbandistas somos “panenteistas” pois “vemos” e reconhecemos Deus em tudo, sem no entanto confundir o todo com as partes.

Mono-politeismo
Da mesma forma reconhecemos um Deus único e reconhecemos que tem muitos nomes e divindades associadas, quem crê em um Deus Único é “Monoteista”, quem crê em muitos deuses é “Politeista”, também há um “neo-logismo” para quem crê em um Deus único e muitas Divindades, que manifestam suas qualidades, “Mono-politeismo”. Também Podemos dizer que somos, nós umbandistas, “Mono-politeistas”, Monoteistas com relação ao Deus Único e Politeistas com relação as suas divindades.

É dentro destes conceitos de que Deus Cria se Repetindo (Multiplicando) e se Repete (Multiplica) criando, que em 1999, Rubens Saraceni, afirmou que se procurássemos em outras culturas encontraríamos divindades análogas aos Orixás com outros nomes. E que tanto os Orixás quanto as demais divindades são formas de uma mesma essência, pois é a forma que cada cultura diversa, encontrou para culturas as Divindades de Deus ou “Tronos de Deus”.
Esta forma de pensar já pertencia ao africano que reconhecia nas divindades Bantu-Angolanas, Inquices, os mesmos Orixás da cultura Nagô, com outros nomes. Tanto é fato que é muito comum encontrarmos “Candomblés de Angola” cultuando os Orixás da Cultura Nagô-Yorubá, que tem origem na Nigéria e parte do Benim. O mesmo se deu entre alguns grupos Jejê que cultuam os Voduns que gerou Tambor de Mina no Maranhão e Voodoo no Haiti.
Logo compreendo que não seja exatamente a mesma coisa nos referirmos a Oxum, a grega Afrodite, romana Vênus, hindu Lakshmi, egípcia Isis, nórdica Freyja, celta Blodeuwed, chinesa Kwanin, asteca Xochiquetzal e outras… Mas nos remetem a uma mesma essência e seu estudo comparado nos ajuda a compreender mais e melhor as “chaves”, que os mitos revelam e ocultam, bem como o estudo comparado nos mostra que da nossa forma, do nosso jeito, estamos fazendo o mesmo que já fizemos em tantas outras encarnações, cultuando Deus e suas Divindades por meio de seus diversos nomes








Há ainda casos de divindades que trazem em si qualidades de muitos “Tronos Originais”, como Logunedé que tem qualidades de Oxossi e Oxum; Oxalufã que tem qualidades de Oxalá e Obaluayê; Shiva que tem qualidades de Xangô, Omulu, Iansã, Obaluayê e Exu; Hermes que tem qualidades de Oxossi e Exu… claro segundo meu ponto de vista e interpretação.

Logo há divindades que intermediam para muitas outras divindades o que apenas marca seu perfil.
O que não invalida o estudo, apenas nos aguça a estudar mais e mais estes mistérios encantadores que são em si as diversas manifestações de Deus e suas Divindades.
No cristianismo negam-se as divindades, no entanto os vários santos católicos formam, praticamente, um panteão de “semideuses”, cada santo ocupa o lugar de um ou mais “Tronos de Deus”. O que foi uma necessidade, durante o período de expansão do Catolicismo, pois os vários cultos à “Deusa do Amor”, por exemplo, ou simplesmente ao “Trono Feminino do Amor”, tem uma função e razão de ser junto á humanidade; o que revela um arquétipo, mitos e sua presença no inconsciente coletivo. Desta forma os santos passaram a ocupar e manifestar as qualidades, virtudes e mistérios que pertencem às divindades (Tronos de Deus). Nossa Senhora praticamente assumiu a posição de Feminino de Deus, é ela a idealização da Grande Deusa, e em seus mais variados nomes vai apresentando os mistérios diversos de muitas divindades femininas em seus diversos nomes e arquétipos.

Encontramos Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Virtudes, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora Desatadora dos Nós e outras, em que cada uma manifesta um mistério diferente na criação.

Orixá Exu
Sei que para alguns ainda é difícil entender a diferença entre Orixá Exu e Entidade Exu. O Orixá Exu é a nossa forma de entender uma divindade de Deus, a Divindade ou “Trono da Vitalidade”, aquele que dá vitalidade à toda a criação. A entidade exu é um espírito humano que trabalha com este mistério, todos os exus de Umbanda, todas as entidades exu, trabalham sob o amparo e sustentação do Orixá Exu.

Podemos dizer que o Orixá Exu está para as entidades Exu, assim como Oxossi está para os Caboclos, Obaluayê está para os Pretos-velhos ou Ibeji está para as Crianças.

Também já foram pensados sincretismos de santos com Orixá Exu, como o próprio Expedito, Santo Antônio, São Pedro e até Menino Jesus em alguns lugares




No caso do Orixá Exu ou Trono da Vitalidade, trata-se de uma divindade que atua em todas as vibrações, em todas as linhas a partir de si mesmo ou por meio dos outros Orixás. Mas este já é assunto para outro texto, ou ainda para a leitura dos títulos Livro de Exu – O Mistério Revelado e Orixá Exu (Rubens Saraceni – Ed. Madras).

Quanto a Divindade ou Trono da Vitalidade também assume nomes diferentes e formas variadas nas diversas culturas, é para nós o Orixá Exu. Encontrar suas manifestações diversas é trabalho de pesquisa muito enriquecedor pois estudar outras manifestações do mesmo mistério nos traz maior compreensão sobre o mesmo.
O conteúdo abaixo faz parte do título Deus, Deuses, Divindades e Anjos , do excelente autor Alexandre Cumino, eu mesmo, rs. Os resultados são fruto dos estudos de “Teologia de Umbanda Sagrada”, no tema “Orixás – Teogonia de Umbanda” e assunto “Estudo Comparado dos Orixás”.






Orixá Exu – O Trono Masculino da Vitalidade
Por Alexandre Cumino

A FORÇA
Exu, Shiva, Hermes, Pã, Príapo, Dionísio, Min, Bes, Seth, Savitri, Lóki, Baal, Shulpae, Shullat, Kanamara Matsuri, Baco, Anzu, Comentários.

Exu — Divindade africana, da cultura Nagô que predomina na região da atual Nigéria e parte da Republica Popular do Benim.
É o Trono da Vitalidade e também um Trono Tripolar (vitaliza, desvitaliza ou neutraliza toda e qualquer ação).

Orixá Exu tem origem Nagô, onde é Divindade fálica, age também no sentido do vigor físico e espiritual. Seu nome, na língua Yorubá, quer dizer Esfera, mostrando ser uma Divindade que atua em Tudo e em todos os campos.







O TRIDENTE DE EXÚ GUARDIÃO DA UMBANDA
O tridente, ferramenta de Exu na Umbanda, nunca teve conotação negativa, pelo contrário.
O Tridente sempre foi algo divino nas culturas pagãs anteriores ao Cristianismo, por isso a cultura católica fez questão de pregar o inverso, para facilitar a conversão de seus fiéis e fazer com que esquecessem os mistérios a que tinham acesso direto. Agora o único acesso a qualquer mistério estaria na mão de um Sacerdote Católico.

Podemos citar o uso de Tridente por Zeus, Netuno, Tritão, Posseidon e Shiva, entre outros.
Esses tridentes mostram o valor divino concedido a eles; a trindade; o alto, o meio e o embaixo; Céu, Mar e Terra; Luz, sombra e trevas; Pai, Mãe e Filho; etc. Na cultura católica, essa trindade perde toda sua relação com o tridente e aparece apenas como Pai, Filho e Espírito Santo, deixando de lado o elemento feminino, tão importante, que se concentrará na figura de Maria, Mãe de ­Jesus.

Assim, Exu evoca seu
mistério do vigor e o mistério tridente já tão deturpado em nossa
cultura, mas de grande valor como mistério divino, pois trás em si poder
de realização, desde que manifesto da forma correta.

Elegbara
Também
conhecido como Elegba, Legba, Elebá, Lebá, Elegua, Légua e outros é
divindade da cultura Gêge, Vodun, na língua Fon. Seu nome significa
Poderoso , tem em si todas as qualidades do Orixá Exu, e de cultura tão
próxima na África houve também sincretismos.
Elebara é sinônimo de Exu e tornou-se na cultura Yorubá, também, uma das qualidades do Orixá Exu.

Aluvaiá
Este
é o nome da Divindade da Vitalidade na cultura bantu, na língua
quimbundo, portanto é um “inquice”, é o Exu dos Cultos Angola/Congo.

Shiva –
Divindade
hindu, é a terceira pessoa da trindade formada por Brama, Vishnu e
Shiva, na qual um constrói, ou outro mantém e o terceiro destrói a
criação para que torne a construir outra vez. Tem como consorte (esposa)
Parvati, que também se manifesta como Durga ou Kali. Pai de Ganesha a
quem deu o titulo de Senhor dos Exércitos de Shiva. Shiva reina sobre
todos os seres “infernais” e “trevosos” ele tem o poder destruidor e
transformador. Shiva é o grande Yogue o Maha Deva (Grande Deus), todos
vão a sua cidade natal Varanasi para passar os últimos dias de vida ao
lado do Rio Ganges assim depurando o carma, para ao desencarnar na
Cidade de Shiva ficar livre da roda dos renascimentos, Sansara. Shiva é
Fálico, nos seus rituais chamados Puja o sacerdote Pujari, faz oferendas
em torno de um lingan que representa o falo de Shiva. O lingan é todo
besuntado com (iogurt) e mel que também consiste da oferenda. Shiva usa
um Tridente que representa seu poder trino, enquanto terceira pessoa, e
também para lembrar que onde está uma pessoa está as três pessoas. O
Tridente também representa o poder no Alto, no meio e no Embaixo.

Shiva enquanto terceira pessoa da trindade também manifesta qualidade de outras divindades ou Orixás, pois uma de suas manifestações é chamada de Nataraja quando Shiva aparece dançando dentro de um circulo de fogo. Sua dança é quem mantém o universo em constante movimento, é a Dança Cósmica do Universo. No fogo, na dança e na destruição podemos associar Shiva a outros Orixás, o que é normal pois mesmo Ogum se manifesta de formas diversas, quando manifesta a lei no campo dos outros Orixás.

Hermes —
Divindade grega, filho de Zeus com a ninfa Maia, é o mensageiro dos Deuses. Responsável por tudo que se relacionasse com movimento, viagem, estradas, moeda e transações comerciais. Por isso aparecia sempre usando um chapéu de viajante e sandálias aladas. Na mão, levava uma varinha mágica feita de duas cobras enroscadas em uma haste.

Pã —
Divindade grega, filho de Hermes, torso humano, pernas e chifres de bode, deus dos campos, dos pastores e dos bosques. Adorava a companhia de Sátiros, excelente músico e dançarino, adorava perseguir as ninfas. De voz aterradora é a partir de seu nome que surgiu a palavra “pânico” que diz respeito a assustar-se com a presença de Pã.

Príapo — Divindade grega, filho de Afrodite e Hermes, Divindade fálica da fertilidade.

Dionísio — Divindade grega, filho de Zeus e de Sêmele, Deus dos vinhos e folguedos, vagava por todo o país bebendo vinho e dançando sem parar. Teve seu culto inicial mais ligado aos aspectos de divindade da floresta, possuindo qualidades fálicas foi deixando para trás sua natureza vegetal, lembrada apenas pelo vinho e videiras. Como divindade fálica, aparece com sobrenomes como Ortos, “O Ereto”, e Enorques, “O Bitesticulado”.

Min — Divindade egípcia, Divindade fálica, também da abundância, da fertilidade, da força, do poder e do vigor.

Bes — Divindade egípcia, “Deus da Concupiscência e do Prazer”, de origem estrangeira, aparece de pé sobre um lótus; também é fálico.

Seth — Divindade egípcia, Senhor do Caos ou da desordem, também transmite força, poder e vigor. Atua de forma tripolar e muitas vezes atuará no campo do Trono Oposto ao Trono da Lei, pois sua presença gera a desordem, bem como sua ausência beneficia a Ordem Divina.

Savitri — Divindade hindu, “su” raiz do nome (“estimular”) é o “estimulador de tudo”.

Lóki — Divindade nórdica, irmão de Odim, é Divindade de força e poder que muitas vezes direciona todo esse potencial de forma não compreensível. Incansável em suas ações, é em si o próprio mistério do Vigor agindo de forma dual, ora positivo e ora negativo.

Baal — Divindade caldéia, cananéia e fenícia, “Senhor” ou “Esposo”. Também é um deus fálico.

Shulpae — Divindade sumeriana com uma série de atribuições, incluindo fertilidade e poderes demoníacos.

Shullat — Divindade sumeriana, consorte de Hanish. Servo do deus sol. Equivalente a Hermes, o mensageiro divino.

Kanamara Matsuri — Divindade japonesa, “falo de ferro”, senhor da fertilidade, reprodução e sexualidade, trazia fartura e a cura para a impotência e a esterilidade.


Baco — Divindade grega do vinho e da vindina, da devassidão e do alvoroço.

Anzu — Divindade babilônica, Águia de cabeça de leão, porteiro de Enlil, nascido na montanha Hehe. Apresentado como o ladrão mal-intencionado no mito de Anzu, mas benevolente no épico sumério de Lugalbanda.


O Trono Masculino da Vitalidade, Exu, tem sido muito mal compreendido desde que fomos dominados por uma cultura que vê a união carnal como pecado original.
A região sacra do corpo humano tornou-se algo a ser escondido como vergonhoso.
A fertilidade divina perde sua relação com o vigor físico, logo as Divindades fálicas são mal compreendidas e facilmente associadas a algo negativo. Espiritualmente o órgão sexual, responsável pela concepção, geração, multiplicação e perpetuação da espécie é divino, sem dúvida, sendo algo negativo a “bestialização” do que nos foi reservado para o Amor. Logo, a vitalidade, o vigor e o estímulo são algo essencial para a vida, pois é aplicado não apenas com ­conotação ­sexual e sim em todos os campos da vida, pois uma pessoa desvitalizada ou desestimulada, rapidamente, vai perdendo a vontade de ­viver.

Entendemos assim que, como esse, muitos outros mistérios e tronos de Deus são incompreendidos; nossos tabus e conceitos muitas vezes encobrem a visão do que é sagrado e divino em nossas vidas.

http://religiaoespirita.com/umbanda/orixa-exu-%E2%80%93-o-trono-da-vitalidade/
 
 
 
 
 
 
 

REZAS DE BORI

 
 
BORI — pronúncia correta BÓRÍ (alguns pronunciam BÔRÍ) — A palavra vem de bo + ori: adorar a cabeça, comida a cabeça; cerimônia através da qual a pessoa passa a ser consagrada aos Orixás. Oferenda à cabeça. Ritual no qual é cultuado o Ori (cabeça), o princípio da individualidade, considerado por muitos sacerdotes como a grande iniciação.
Bori ou Bori significa “alimentar o Orí”, é uma cerimônia adepta também no candomblé e em Casas de Santo (orixá) de Nação (candomblé, jejê, nagô, angola, etc..), onde nós homenageamos (alimentamos) um dos mais importantes Orixás. O Bori é feito em muitas situações, tais como: antes de qualquer grande oferenda ao nosso Orixá (incluindo iniciação), quando nos sentimos enfraquecidos — sem poder de concentração, confusos, quando os búzios nos dizem para que o façamos, etc.


As oferendas são oferecidas à Orí ( Orixá que representa nossa cabeça) devem ser decididas através de consulta ao oráculo de Ifá, (ou jogo de buzios no candomblé) sendo classificados de acordo com os elementos integrantes de cada individuo em particular. O destino de uma pessoa depende de sua titude para com a vida. O Orí é uma dinvindade que tem o objetivo de servir a uma pessoa à qual está ligado por força do poder de Olodumare.

Enquanto os Orixas (Orisa) são os intermediários entre os homens e Olodumare o Orí é o intermediário entre o homem e seu Orixa.
 
 Neste ritual, a cabeça é quem fala e decide. Orí tem desejos próprios.

Veja uma “ Adura Orí ”(orin, reza, louvação, saudação), dedicada a Orí, ver que traduzido também fica muito bonito o que se está cantando, e pedindo no ato de uma reza, o que se está pedindo para aquela pessoa, e os que estão presente em um fundamento altamente religioso do culto afro (culto de adoração aos Orixás).

APÉ RÉ ORI Ô – Nos pedimos boa sorte ao Orí

ADA NIXE WE – por que a cabeça tem muita luta

MO JUBÁ BE O ORÍ O – eu lhe saúdo minha cabeça

ADA NIXE WE – que tem muito a fazer

A N LÉSÉ ORIXÁ. – aos pés do Orixá

JURAMENTO DE FÉ DA UMBANDA

                             
 
 JURAMENTO DE FÉ DA UMBANDA SAGRADA


Eu creio na existência de um Deus único, onipotente, onisciente, oniquerente e onipresente.*
Eu creio na existência dos sagrados Orixás, as divindades de Olorum
(Deus) às quais Ele confiou as Suas qualidades divinas e que são os
seres superiores responsáveis pela concretização de Sua infinita obra
colocada à disposição de todos os seres, de todas as criaturas, e de
todas as espécies que Ele criou.
* Eu creio
 
que
cada um dos Sagrados Orixás é uma divindade unigênita dotada do Poder
Divino de transmitir Sua qualidade e caráter Divino aos seres, às
criaturas, e as espécies. Esse fato que os distingue como auxiliares
diretos do Criador do Universo e Divinos Pais dos seres denominados seus
filhos; regentes das criaturas, denominados seus animais, e das
espécies, denominados seus vegetais, suas plantas e suas folhas.
*
Eu creio na existência de uma essência viva e divina ou corpo etérico
de Olorum (Deus), por meio do qual se manifestam tanto Suas
divindades quanto os espíritos que incorporam nas sessões religiosas
umbandistas. Corpo Divino também é chamado de Espírito Santo por outras
crenças religiosas.
*
Eu creio
na imortalidade dos espíritos e na capacidade de se comunicarem com os
encarnados e de influenciá-los positiva ou negativamente.
* Eu creio
na
existência da incorporaçao mediúnica e no benefício que os espíritos
Luzeiros, incorporados pelos Sagrados Orixás às suas hierarquias
espirituais humanas, trazem a todos os encarnados quando incorporam em
seus mediadores umbandistas.
* Eu creio na evolução dos espíritos e
no aperfeiçoamento consciêncial que a religião Umbanda proporciona a
todos os seus fiéis, adeptos e seguidores.
* Eu creio na existência
de múltiplas faculdades mediúnicas e esforça-me-ei no estudo e no
entendimento delas, pois só assim poderi ensina-las e auxiliar quem
possuir algumas delas e estiver necessitando de ajuda para ordena-las e
fazer o bom uso delas, tanto em seu próprio benefício, quanto de
seus semelhantes
* Eu creio na existência de uma evolução contínua de
toda a Criação Divina e creio que só por intermédio do estudo, da
dedicação e do aprendizado poderei ser útil a essa evolução.
* Eu
creio que, por ter sido gerado por Olorum (Deus) e por ter sido
qualificado por uma de Suas Divindades, sou um ser de origem divina e
dotado de múltiplas qualidades, às quais desenvolverei e aperfeiçoarei,
pois assim, serei útil ao meu Criador, ao meu Orixá e Pai Ancestral, aos
meus semelhantes, meus irmãos e à toda a Criação Divina, da qual sou
parte e sou beneficíario.
* Eu creio em Olorum (Deus) em Suas
Divindades, Senhores Orixás e creio em mim mesmo, pois também sou um ser
de origem divina e sou dotado inteligência, de raciocínio e de razão
para poder diferenciar o bom do ruim, o certo do errado, o justo do
injusto, o divino do profano e o divino do humano. Amém !    
 

Ser Umbandista

Ser umbandista é ser RELIGIOSO e CRISTÃO.
Ser umbandista é ser resignado.
Ser umbandista é ser desprendido e solícito.
Ser umbandista é alterar um conceito e um modo de vida.
Ser umbandista é evitar os costumes e as atitudes que nos afastam da presença de Deus.
Ser
umbandista é ter dedicação total, é ter aprimoramento contínuo e
vigilância duradoura contra as atitudes que nos afastam do bem.
Ser umbandista é ter como meta a caridade, a bondade, a verdade e o amor divino.
Ser
umbandista é ter vontade, ter perseverança para dissipar as
controvérsias e dificuldades que tanto nos afastam do caminho justo e
luminoso.
Enfim, ser umbandista é ser aplicador das leis de Olorum
(Deus) e como Ele, será - sem dúvida - apedrejado por injustiças, pelo
PRECONCEITO, por ignorâncias ou por maledicências, mas, como recompensa,
terá a paz e o verdadeiro significado do sentimento de amor e caridade,
terá a certeza do dever cumprido e a visão da nossa verdadeira missão
como os Ceifeiros de Oxalá (JESUS CRISTO).

MENSAGENS DE LUZ/AUTORES VARIADOS

 





















                           












UM PAPO ESPIRITUAL COM PAI JOSÉ


À noite, quando a maioria das pessoas estão dormindo, diversas falanges espirituais se desdobram em trabalhos socorristas de assistência à humanidade encarnada. Devido ao sono, a queda natural do metabolismo e das ondas cerebrais, o corpo espiritual desprende-se naturalmente do corpo físico.

Aproveitando-se desse fato natural e inerente a todo ser humano muitos amigos espirituais trabalham nessa hora da noite retirando essas pessoas do seu corpo físico, dando um toque sensato a elas diretamente em espírito, ou, simplesmente, trabalhando as energias do assistido com mais liberdade a partir do plano espiritual da vida.

Um dia desses, durante um trabalho de assistência, estava conversando com um Preto Velho, que responde nas lidas de Umbanda, pelo nome de pai José da Guiné. Segue o diálogo:

— Pai José, esse trabalho de assistência na madrugada é enorme, não? O médium umbandista muitas vezes nem imagina o tamanho dele, não é mesmo?

— É sim fio. trabalho grande, toda noite. Mas são poucos que lembram da espiritualidade dia-dia e mantém sintonia elevada antes de dormir. Isso acaba por barrar as possibilidades de trabalho em conjunto conosco, você sabe disso. A maioria dos médiuns por aí pensam que o único dia de trabalhoespiritual é o dia de trabalho no terreiro. É uma pena.
— É verdade, as pessoas tendem a se preparar muito para o dia de trabalho no terreiro, mas esquecem dos outros dias.

_ Preparar? Muitas vezes eles nem se preparam fio. A maioria chega lá cheia de problemas e preocupações na cabeça. Dá um trabalhão danado acoplar na aura toda encardida de pensamentos e sentimentos estranhos deles. E nego num tá falando que preparação é tomar um banho de erva antes do trabalho, não…

— Ué, mas o banho de erva é importante, não é pai?

— É, claro que é. Mas num é tudo. Antes do banho de erva, seria melhor um banho de bom-humor, com folhas de tranqüilidade e flores de simplicidade, hehehe… Isso sim ajudaria. Num adianta colocar roupa branca, defumar, tomar banho, se o coração tá sujo, se a boca maldiz, se o rosto está sem alegria e o espírito apagado. Limpeza interna fio, antes de limpeza externa…

— Tá certo…

— Tá certo, mas você muitas vezes num faz isso né? Hehehe… Tudo bem, todo mundo tem lá seus dias ruins, o problema é quando isso se torna constante. Fio, a Umbanda é muito rica em rituais, em expressões exteriores de alegria e culto a divindade. Mas isso deve ser utilizado sempre como uma forma de exteriorizar o que de melhor trazemos dentro de nós. Não uma fuga do que carregamos aqui dentro. Volta seus olhos pra dentro e lá presta culto aos Orixás. Só depois disso, canta e dança…

— Quando estiver participando de um trabalho, esteja por inteiro, em corpo físico, coração e mente. Não faça das reuniões espirituais um encontro social. Antes de começar os trabalhos, medita, ora, entra em sintonia com o trabalho que já está acontecendo. Durante os cantos, busca a sintonia com os Orixás.
Nesse momento, você e Eles não estão separados pela ilusão da matéria. Tão juntos. Em espírito e verdade…
 
 — Acompanha as batidas do atabaque e faz elas vibrarem em todo seu ser. Defuma seu corpo, mas defuma também sua alma, queimando naquela brasa seu ego, sua vaidade, seu individualismo, que lhe cega os sentidos.

— Trabalha, aprende, louva, cresce meu fio. Mas o mais importante: Leva isso pra fora do terreiro! Lá dentro, todo mundo é filho de pemba, todo mundo tá de branco, todo mundo ama os Orixás…

— Mas aqui fora, logo na primeira dificuldade, duvidam e esquecem dos ensinamentos lá recebidos. Aqui fora, num tem caridade, fraternidade, Orixá, espiritualidade. Mas a Lei de Umbanda não é pra ficar contida no terreiro. A Lei de Umbanda é pra estar presente em cada ato nosso. Em cada palavra, em cada expressão de nosso ser…

— Percebe fio? Você é médium o tempo todo, não só no dia de trabalho, mas todo dia. Você é médium até quando tá dormindo…hehehe
Pai José fez uma pausa e eu fiquei a pensar a respeito da responsabilidade do trabalho mediúnico. De quantos médiuns por aí nem tinham idéia do trabalho espiritual que as muitas correntes de Umbandadesenvolvem. De como, a vivência de terreiro, demandava uma mudança interior, uma postura diferente em relação à vida. Enquanto pensava a respeito, pai José disse:

— É por aí mesmo fio. A partir do momento que a pessoa internaliza os valores espirituais, um novo mundo, cheio de novas perspectivas surge. Novas idéias, novos ideais. Uma forma diferente de encarar a vida. Esse é o resultado do trabalho. A caridade não é mais uma obrigação, mas torna-se natural e inerente ao próprio ser, assim como a respiração. A sintonia acontece esteja onde ele estiver, carregando consigo a Lei da Sagrada Umbanda em seu coração…

— Lembre-se: Aruanda não é um lugar! Aruanda é um estado de espírito… Você a carrega para onde for. Isso é trabalho. Isso é sacerdócio. Isso é viver buscando a espiritualização…

— Por isso, meu fio, faz de cada trabalho espiritual que você participar um passo em direção a esse caminho. Um passo em direção a unidade com o Orixá. Cada reunião, um passo… Sempre!
Notas do médium: Pai José de Guiné é um espírito que há muito tempo eu conheço, trabalhador incansável nas lidas da cura espiritual. Apresenta-se como um negro, com cerca de 50 anos, sempre com seu chapéu de palha a cobrir-lhe a cabeça e seu olhar firme e determinado. Tem um jeito muito direto e reto de falar as coisas sempre nos alertando a respeito de posturas incompatíveis com o trabalhoespiritual. É um espírito muito bondoso com quem já aprendi muitas coisas.

Fica aí o toque dele, que muito me serviu, a respeito de levar o terreiro para o nosso dia-dia.

Texto de Fernando Sepe.
 

NA ENCRUZILHADA DA VIDA







Na Encruzilhada da Vida

Quando
se fala em encruzilhada, imediatamente surge na cabeça dos brasileiros a
ideia de Exu e de “bozó”, nome pelo qual o povo gosta de designar as
oferendas que o povo de candomblé faz fora do terreiro-templo. Claro que
a referida divindade está, sim, ligada aos entrecruzamentos de
caminhos. Mas o simbolismo da encruzilhada e, consequentemente, da cruz
está presente em muitas religiões, sendo, assim, universal. O
catolicismo soube enaltecer e ao mesmo tempo popularizar a imagem da
cruz, mostrando Jesus sacrificando-se pela humanidade, momento em que
ultrapassou seu estágio humano. A cruz, com seus quatro “braços” que
apontam para os quatro pontos cardeais, é símbolo de orientação no
espaço, para que a jornada humana não seja perdida.

A encruzilhada, portanto, é
um lugar de pausa, um momento parado no tempo, que leva à mudança de um
estágio a outro ou, simplesmente, de uma situação a outra. Quando,
portanto, oferendas nas encruzilhadas são depositadas, está se pedindo
inspiração para o novo caminho que se deseja trilhar. Está se pedindo a
quem? A Exu, que é, na crença nos orixás, a divindade orientadora dos
caminhos, responsável por mostrar a direção correta a ser tomada, tendo
em vista que as dúvidas e incertezas possam, por fim, dar o descanso
necessário à mente. Exu é a nossa bússola, aquele que nos protege para
que não fiquemos desnorteados. Afinal, enquanto seres humanos, nós somos
muito instáveis.

Em rituais celebrados pelo candomblé, a
característica de instabilidade do ser humano é cantada: Pákun aboìxá;
Ibà pa ràn tán axó dá ma aro; a fi dà wa rá àxé akó ma orixá; orixá wa
baba alaye = Apague o fogo dos incêndios e nos proteja do aguaceiro;
apague o fogo, o calor que se alastra; termine com as muitas discussões e
tristezas criadas; nós somos instáveis, transforme-nos, imploramos
sempre pelas suas instruções e sua doutrina, orixá. Seja nosso mestre, o
dono do nosso modo de viver. Cecília Meireles, em seu poema Ou isto ou
aquilo, também nos lembra dessa particularidade, que tanto desgaste dá à
mente humana:

Ou se tem chuva e não se
tem sol/ ou se tem sol e não se tem chuva!// Ou se calça a luva e não
se põe o anel/ ou se põe o anel e não se calça a luva!// Quem sobe nos
ares não fica no chão,/ quem fica no chão não sobe nos ares.// É uma
grande pena que não se possa/ estar ao mesmo tempo em dois lugares!// Ou
guardo o dinheiro e não compro o doce/ ou compro o doce e gasto o
dinheiro.// Ou isto ou aquilo… ou isto ou aquilo…/ e vivo escolhendo o
dia inteiro!// Não sei se brinco, não sei se estudo/ se saio correndo ou
fico tranquilo// Mas não consegui entender ainda/ qual é melhor, se é
isto ou aquilo.”

 

A vida nos coloca sempre em encruzilhadas, onde somos obrigados a escolher que atitude tomar, por isto se diz que é na encruzilhada que se encontra o destino. É que as encruzilhadas, isto é, os cruzamentos de caminhos, são espaços sagrados, daí a responsabilidade que se deve ter com os rituais e, consequentemente, os pedidos feitos nestes locais. Por exemplo, é comum o hábito de se depositar oferendas para determinadas “entidades”, com o objetivo de conseguir um amor. Inocentes pessoas que, sem o conhecimento devido, não sabem que os amores assim conseguidos são passageiros, tanto que em latim a palavra encruzilhada é conhecida como trivium, significando aquilo que é trivial, que é efêmero.

Repetindo, as encruzilhadas são lugares sagrados onde se pede ajuda aos deuses para que tenhamos critérios nas escolhas feitas, a fim de não nos perdermos no caminho. São também nesses locais que pessoas que possuem o devido preparo espiritual, com muita responsabilidade e respeito, realizam rituais cuja finalidade é despachar, no sentido de expulsar, as energias negativas, que o sagrado consegue transmutar em energias positivas, para depois serem devolvidas aos homens, já livre de todas as impurezas. Pois as encruzilhadas são lugares, e momentos, de reflexão para escolha do caminho a seguir, mas também são lugares naturais para que possamos nos desvencilhar das negatividades por nós criadas ou em nós respingadas.

Texto de: Maria Stella de Azevedo Santos | Iyalorixá Mãe Stella do Ilê Axé Opô Afonjá

A HUMILDADE





Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
Charles Chaplin