ABRA SUA MENTE



Fecha teus olhos,abre tua mente e teu coração para a Verdade ...,porque

Ela pode ser invisível aos olhos humanos.Mas não aos olhos da sua consciência







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sexta-feira, 5 de julho de 2013

O SER E O TER

 

O Ser e o Ter




A verdadeira luta pela existência terrena passa pelas questões do Ter e do Ser.


Desde épocas milenares o Homem se aflige e derrime suas energias mentais e físicas em perseguição da fortuna e do conforto que lhe aportam os bens materiais, sejam eles conseguidos ou não através de meios ilícitos, pondo em risco vidas humanas, causador de desgraças familiares que muitas vezes se prolongam por séculos de sofrimentos ímpares em reparações afligentes e que se fazem obrigatórias pelas leis da Consciência individual na nossa infinita Caminhada para Deus.


Olhai a beleza da rosa, aspirai seu perfume, todavia não a invejeis, pois a sua beleza multicor é e será sempre efémera.


Maravilhai-vos antes perante a semente lançada à terra com o suor de quem trabalha e com a fome que ela sacia às muitas criancinhas de famílias de parcos recursos.



 
Não a olvideis meus irmãos. Praticai a Caridade, onde estiverdes, como souberdes. Não penseis em resultados. Crede que haverá sempre uma alma aflita que encontrará vossos pensamentos, vossas reflexões, vosso Amor, vossa dádiva desinteressada.



Joana d' Ângelis



                 


 Admirai o canto do cisne, seu porte belo e elegante. Todavia, lembrai-vos que a verdadeira música, a que se entoa nos céus, parte do coração e ilumina todo o nosso interior. O génio musical não carece de voz para louvar o Senhor, ele o faz com a sua alma inebriada de Amor Eterno.

Beethoven compôs a Ode à Alegria, a mais maravilhosa obra de encanto pela vida, quando seus olhos já nada enxergavam e seu coração pertencia inteiramente à harmonia Universal, ao Deus Criador de todas as coisas.


No Ser está a única verdade, a verdadeira beleza, aquela por que vale a pena lutar em cada uma de nossas existências afim de alcançarmos a Iluminação Interior.


Após o Encontro Final com o Ser Interior, o homem partirá à descoberta da beleza no Outro, realização de Deus e sua própria realização, pois a perfeição do seu irmão se refletirá   nele mesmo, e ele encontrará a Harmonia Interior e a perfeição




Não a olvideis meus irmãos. Praticai a Caridade, onde estiverdes, como souberdes. Não penseis em resultados. Crede que haverá sempre uma alma aflita que encontrará vossos pensamentos, vossas reflexões, vosso Amor, vossa dádiva desinteressada.



Joana d' Ângelis
 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

ERRATICIDADE E FANTASIAS ESPIRITUAIS

 

 

Iso Jorge Teixeira

Natureza da vida depois da morte

O Espiritismo é uma Doutrina consoladora por excelência, ele demonstra por fatos patentes a imortalidade da alma, a sua individualidade após a morte e a necessidade de reencarnação para o aperfeiçoamento, pois somos perfectíveis. Todos esses princípios estão resumidos nas questões 149, 150, 152, 166, 166-a, 166-b, 166-c e 223 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC.

DESTINO DAS ALMAS DEPOIS DA MORTE.

Que acontece com a alma após a morte? A dos bons irão para o céu e a dos maus para o inferno? Haveria um purgatório, um lugar determinado para a ascensão ao céu ou como preparativo para a reencarnação daquelas almas necessitadas de purificação?...
Essas perguntas, exceto a primeira, seriam respondidas com um sim pela maioria dos religiosos brasileiros... Inclusive DANTE ALIGHIERI em sua A Divina Comédia, descreve minuciosamente INFERNO, PURGATÓRIO e CÉU, de maneira genial, embora com os ensinamentos e os conhecimentos "científicos" e míticos medievais e o não menos genial GUSTAVO DORÉ ilustrou magistralmente tal obra, a bico-de-pena.
Curiosamente, alguns confrades sincretizam tais conceitos de céu, inferno e purgatório e admitem coisas semelhantes àquelas descritas n' A Divina Comédia – do obscurantismo medieval –dizendo que após a morte seremos encaminhados para um "Pronto - Socorro Espiritual" e daí, para "colônias espirituais". No entanto, não é isso que está explícito e implícito na Doutrina dos Espíritos; por isso, julgamos importante tratar aqui da questão básica relativa à erraticidade e dos Espíritos errantes...

Que seremos ao desencarnarmos?

Estamos encarnados na Terra para provas e expiações, por isso somos, na esmagadora maioria, Espíritos inferiores. Ao desencarnarmos seremos, na quase totalidade, Espíritos errantes e isso está bem claro na resposta à questão 224 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC, ou seja, nos intervalos da encarnações a alma é um "Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera".
A erraticidade não é um sinal de inferioridade entre os Espíritos, pois estes ali existem em todos os graus (cf. resposta à questão 225, op.cit.), mas somente os Espíritos Puros não são errantes, pois seu estado é definitivo (cf. resposta à questão 226, op. cit.).
Enfim, Espíritos errantes são aqueles em trânsito, que esperam uma oportunidade de reencarnação em nosso planeta ou em outro... Embora possamos evoluir no estado errante – através do estudo do nosso passado e observando os lugares que percorrermos, ouvindo os homens esclarecidos e captando os conselhos dos espíritos mais elevados (cf. resposta à questão 227, op. cit.) –, é através da existência corpórea que pomos em prática as idéias adquiridas na erraticidade (resposta à questão 230 'in fine').
Ora, há uma série de livros mediúnicos em que aparecem Espíritos, com falsa modéstia indisfarçável, que se dizem "imperfeitos" e que estariam "ajudando os irmãozinhos encarnados", durante séculos na erraticidade. Como um deles, num Centro em que freqüentamos, que dizia ser o "pai Joaquim", que – após uma troca de idéias, preparatória, para uma sessão mediúnica –, dirigiu-se diretamente a nós, dizendo:
–– Dr., o Sr. tem preconceito contra os pretos - velhos?
Ao que respondemos, então:
–– É por não ter preconceito que não entendo porque o Sr. se intitula "pai Joaquim"!
Em seguida, ele fez uma longa explanação, aliás repetida em muitos Centros, de que a encarnação preferida dele foi a de um escravo, por isso se intitulava assim. E finalmente disse:
–– Estou aqui neste plano há mais de 300 anos, tenho muitas imperfeições, mas procuro ajudar os irmãozinhos encarnados.
Retrucamos, então:
–– Se está há tanto tempo aí, e com imperfeições, por que não reencarna?...
A seguir, ele (não sei se o Espírito ou o médium) mostrou-se desconcertado, hesitante, sem graça; tropeçou nas palavras e não trouxe nenhum ensinamento novo, somente frases – feitas...
Ou seja, determinados livros mediúnicos estão afastando cada vez mais as pessoas da Doutrina dos Espíritos, pois algumas excrescências doutrinárias são tidas como verdadeira Doutrina...

As chamadas "colônias espirituais" são de existência questionável

Há uma grande falha em nosso movimento espírita ao admitir que fiquemos, quase enclausurados em "colônias espirituais", a receber conselhos de Espíritos, como se aí estivéssemos encarnados, como naquelas imagens de DORÉ sobre a Divina Comédia de DANTE... Até um tal "vale dos suicidas" é creditado como verdadeira Doutrina dos Espíritos!... Contudo, nas obras de KARDEC não há a menor referência nem às colônias espirituais nem ao vale dos suicidas. Seria uma omissão imperdoável da Espiritualidade Superior!
Acreditamos em que, ao desencarnarmos, a nova vida é eminentemente espiritual, nada de mundos especiais, "cópias aperfeiçoadas dos objetos da Terra", como dizem alguns confrades. O mundo da erraticidade é um mundo de reflexão em que nos preparamos para uma nova encarnação, mas essa preparação não tem nada de material.
Alguns argumentam que aqueles Espíritos mais terra-a-terra não conseguiriam viver sem a matéria !!! Ora, se não conseguirem viver sem a matéria, ao desencarnarem não sairão daqui do orbe terrestre, é o que se infere do início da resposta à questão 232 de O Livro dos Espíritos, isto é:
"(...) Quando o Espírito deixou o corpo ainda não está completamente desligado da matéria e PERTENCE ao mundo em que viveu ou um mundo do mesmo grau(...)"– o destaque é nosso.

Espíritos superiores não podem reencarnar-se?

Nunca devemos esquecer-nos de que estamos rodeados de espíritos desencarnados, errantes, e são eles que nos dão boas ou más inspirações. Embora aqui na Terra predominem os maus espíritos, temos também Espíritos Superiores, em menor número, é o caso dos Espíritos – Guias de cada um de nós...
A propósito, é um sofisma afirmar-se que um Espírito Superior teria dificuldade de vir à Terra e seria impossível, em determinado caso, a sua reencarnação terrena; pois, argumentam, o seu fluido é muito diáfano para suportar os fluidos terrenos. Ora, o perispírito é extraído do planeta em que o indivíduo está encarnado (cf. questão 94, op. cit.) ou situado; obviamente, há variações individuais, mas a sua constituição é sempre a mesma para cada orbe.
A Doutrina dos Espíritos é bem clara neste aspecto, ela nos diz em relação aos Espíritos
Superiores, os de segunda ordem: "Quando, por exceção, se encarnam na Terra, é para cumprir uma missão de progresso e, então, nos oferece o tipo de perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo."(cf. item 111, 'in fine', de O Livro dos Espíritos). Um exemplo maravilhoso deste caso foi a encarnação de JESUS (cf. questão 625 , op. cit.) e a este respeito disse KARDEC:
"Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a humanidade na Terra(...)" (cf. Comentário ab initio à questão 625, op. cit.).
Sabemos que o assunto é polêmico em relação a JESUS, pois alguns julgam-no um Espírito Puro, de primeira ordem e, por isso, não mais sujeito à encarnação. Mesmo admitindo que JESUS seja um Espírito Puro, qual a impossibilidade de sua encarnação ?... Em nosso modo de entender não há nenhuma impossibilidade, tanto assim que ele reencarnou de fato e há provas disso. Mas não entraremos nesta discussão, pois não é o escopo deste estudo.
Enfim, na erraticidade não existe céu, inferno nem purgatório, em lugares determinados; eles existem sim, na consciência individual. Muitas vezes esses Espíritos atraem-se por sintonia, mas, como Espíritos não são capazes de formar quadrilhas, como do Comando Vermelho, Terceiro Comando, aqui da Terra. São espíritos cujo "inferno" consiste – quando renitentes no mal –, em não poderem por em prática os seus maus pendores e isto está bem claro na resposta à questão 970, 'in fine', de O Livro dos Espíritos:
"Desejam todos os gozos e não podem satisfazê-los. É isso que os tortura".
Muitos confrades temem os obsessores numa reunião mediúnica, alegando até que alguns são chefes de falanges infernais!... Mais importante que doutrinar o obsessor (o que é mais fácil) é levar o obsidiado a desprender-se da sintonia que o liga ao seu algoz, pois afinal de contas ambos são algozes - vítimas.

EPÍLOGO

O Céu, o Inferno, o Purgatório, as Colônias espirituais, são fantasias espirituais sem nenhuma sustentação científico – doutrinária, são elucubrações místicas de Espíritos ainda apegados à matéria e de algumas pessoas simplórias que não conseguem conceber o mundo espiritual sem materialidade.
Ao desencarnarmos na Terra, um planeta inferior, por melhores que sejamos não atingiremos , imediatamente, a condição de Espíritos Puros e por mais obstinados que sejamos no mal, não ficaremos eternamente nessa condição de "legionários infernais", pois a Providência Divina nos dá o livre-arbítrio, propiciando-nos o arrependimento. A Lei Divina é Misericordiosa...
Iso Jorge Teixeira
CREMERJ:52-14472-7
Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de
Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

LIVRE ARBÍTRIO E PROVIDÊNCIA

 

Léon Denis
Depois da Morte – Hemus
Um dos problemas que mais preocuparam os filósofos e os teólogos é o do livre arbítrio: conciliar a vontade e a liberdade do homem com o fatalismo das leis naturais e com a vontade divina, parecia tanto mais difícil quanto um cego acaso parecia pesar, aos olhos de muitos, sobre o destino humano. O ensinamento dos espíritos esclareceu o problema: a fatalidade aparente que semeia de males o caminho da vida, não é mais que a conseqüência lógica do nosso passado, um efeito que se refere a uma causa, é o cumprimento do destino por nós mesmos aceito antes de renascer, e que nossos guias espirituais nos sugerem para nosso bem e nossa elevação.
Nas camadas inferiores da criação, o ser não tem ainda consciência; apenas a fatalidade do instinto o impele, e não é senão nos tipos superiores da animalidade que surgem, timidamente, os primeiros sintomas das faculdades humanas. A alma, jungida ao ciclo humano, desperta para a liberdade moral, o juízo e a consciência desenvolvem-se cada vez mais no curso de sua imensa parábola: colocada entre o bem e o mal, ela faz o confronto e escolhe livremente, tornada sábia pelas quedas e pela dor; e na prova, sua experiência forma-se e sua força mental se afirma.
A alma humana, livre e consciente, não pode mais recair na vida inferior: suas encarnações sucedem-se na dos mundos, até que, ao fim de seu longo trabalho, tenha conquistado a sabedoria, a ciência e o amor, cuja posse a emancipará para sempre das encarnações e da morte, abrindo-lhe a porta da vida celeste.
A alma alcança seus destinos, prepara suas alegrias ou dores, exercendo sua liberdade, porém, no curso de sua jornada, na prova amarga e na ardente luta das paixões, a ajuda superior não lhe será negada e, se ela mesma não a afasta, por parecer indigna dela, quando a vontade se afirma para retomar o caminho do bem, o bom caminho, a providência intervém e propicia-lhe ajuda e apoio, Providência é o espírito superior, o anjo que vigia na desventura, o Consolador invisível cujas inspirações aquecem o coração enregelado pelo desespero, cujos fluidos vivificadores fortalecem o peregrino cansado; providência é o farol aceso na noite para salvação daqueles que erram no oceano proceloso da existência; providência é, ainda e sobretudo, o amor divino que se derrama sobre suas criaturas. E quanta solicitude, quanta previdência neste amor. Não suspendeu os mundos no espaço, acendeu os sois, formou os continentes, os mares, para servir de teatro à alma, de campo aos seus progressos? Esta grande obra de criação cumpre-se somente para a alma, para ela combinam-se as forças naturais, os mundos deixam as nebulosas.
A alma é nascida para o bem, mas para que ela possa apreciá-lo na justa medida, para que possa conhecer-lhe todo o valor, deve conquistá-lo desenvolvendo livremente as próprias potencialidades: a liberdade de ação e a responsabilidade aumentam com sua elevação, pois quanto mais ela se ilumina mais pode e deve conformar a sua obra pessoal às leis que regem o universo.
A liberdade do ser é exercida, pois, em um círculo limitado, parte pelas exigências da lei natural que não sobre violações ou desordens neste mundo, parte pelo passado do próprio ser, cujas conseqüências se refletem sobre ele através dos tempos, até a completa reparação.
Assim o exercício da liberdade humana não pode obstar, em caso algum, a execução do plano divino, sem o que a ordem das coisas seria continuamente perturbada: acima de nossas vistas limitadas e variáveis, permanece e continua a ordem imutável do universo. Somos quase sempre maus juizes daquilo que é nosso verdadeiro bem; se a ordem natural das coisas devesse dobrar-se aos nossos desejos, que espantosas perturbações não resultariam disto?
A primeira coisa que o homem faria, se possuísse liberdade absoluta, seria afastar de si todas as causas de sofrimento, e assegurar para si uma vida plena de felicidade: ora, se existem males que a inteligência humana tem o dever e os meios de conjurar e destruir, como os que provêm do ambiente terrestre, outros existem que são inerentes à nossa natureza, como os vícios, que somente a dor e a repressão podem domar.
Neste caso a dor torna-se uma escola, ou antes, um remédio indispensável, pelo qual as provas são apenas uma repartição equânime da infalível justiça: é por ignorar os fins desejados por Deus, que nos tornamos rebeldes à ordem do mundo e às suas leis, e se elas são suscetíveis de nossas críticas, é apenas porque ignoramos o seu oculto poder.
O destino é conseqüência de nossos atos e de nossas livres resoluções: no suceder-se das existências, na vida espiritual, mais esclarecidos sobre nossas imperfeições e preocupações com os meios de eliminá-las, aceitamos a vida material sob a forma e nas condições que nos parecem adequadas a atingir esta finalidade. Os fenômenos do hipnotismo e da sugestão mental explicam-nos o que acontece em tais casos, sob a influência de nossos protetores espirituais; no estado de sonambulismo, a alma empenha-se a realizar uma certa ação em certo momento, por sugestão do magnetizador, e, despertada, sem recordar aparentemente a promessa, executa com exatidão o ato imposto. Assim o homem não conserva lembrança das resoluções que tomou antes de renascer, mas, chegada a hora, afronta os acontecimentos previstos, e participa deles na medida necessária ao seu progresso, ou ao cumprimento da lei inexorável.

DETERMINISMO E LIVRE ARBITRIO

 

Carlos Toledo Rizzini
Determinismo é a doutrina que afirma serem todos os acontecimentos - inclusive vontades e escolhas humanas causados por acontecimentos anteriores. Segue-se que o ser humano seria destituído de liberdade de decidir e de influir nos fenômenos em que toma parte. O indivíduo faz exatamente aquilo que tinha de fazer e não poderia fazer outra coisa; a determinação de seus ates pertence à força de certas causas, externas e internas. É a principal base do conhecimento científico da Natureza, porque afirma a existência de relações fixas e necessárias entre os seres e fenômenos naturais: o que acontece não poderia deixar de acontecer porque está ligado a causas anteriores. A chuva e o raio não surgem por acaso; a semente não germina sem razão, etc.; há sempre acontecimentos prévios que preparam outros: chove porque houve primeiro evaporação, depois resfriamento e condensação do vapor; e assim por diante. Os mundos físico e biológico são, pois, regidos pelo determinismo - no nível macroscópico. Em o nível mental, também vigora o mesmo princípio, pois, os pensamentos têm uma causa, assim como as nossas ações, deles decorrentes; pensamentos e aros estão relacionados aos impulsos, traços de caráter e experiências caracterizam a personalidade.
A doutrina aposta é a do livre-arbítrio, que declara a vontade humana livre pira tomar decisões e determinar suas ações. Diante de várias opções oferecidas por uma situação real, o homem poderia escolher uma racionalmente e agir livremente de acordo com a escolha feita (ou não agir se o quisesse). Exige, portanto, capacidade de discernir e liberdade interior. O animal e o selvagem vêem as coisas em função da sua utilidade imediata na satisfação de instintos e impulsos primários; um pedaço de carne desperta interesse havendo fome para acalmar e só para esse fim. O civilizado, porém, percebe as coisas sob múltiplos aspectos; a carne poderia servir para alimentar a criação, ser examinada ao microscópio, fabricar ácidos aminados para a medicina usar, inspirar um drama ou poema, etc. Tem ele, conseqüentemente, de tornar urna decisão sobre a escolha a fazer. Podemos supô-lo livre para tanto, reconhecendo, contudo, que freqüentemente a condição mental do sujeito impõe restrições ao livre-arbítrio: irreflexão (impulsividade), hábitos fixos, inércia, imitação, moda, etc. Todavia, essas limitações não chegam a cassar a liberdade por completo nem eliminam a responsabilidade dos atos. Por ter de dormir três horas todas as tardes ou beber, ele sofrerá diminuição da liberdade de decisão e ação, mas é o dono desses hábitos e, daí, o responsável pelas conseqüências do que fizer.
O aspecto essencial da questão consiste em saber se o sujeito, ao praticar a ação, era livre ou não para praticá-la se há liberdade de escolha diante de várias possibilidades oferecidas por uma situação - ou se ele só poderia ter feito precisamente o que fez. ser livre não significa agir ao acaso, desordenadamente; vimos acima que as nossas ações têm uma causa, que não elimina nosso poder de determinação. Para abordar tal questão, faremos, primeiro, observar que ninguém parece se conduzir como autômato e as atividades usuais desempenhadas pelas pessoas levam a pressupor a existência de vontade própria. Elas estudam, compram, discutem, vão à igreja, respeitam a lei ou a desrespeitam, constroem pontes, etc. Alguém pode tomar uma decisão semanas antes e mantê-la até o fim ou mudar a direção dela. Depois, perguntaremos: 1) no mundo físico infra-atômico e no reino vivo infracelular vigoram as mesmas relações, absolutamente constantes, da escala macroscópica? 2) o determinismo psíquico está sujeito à mesma rigidez do determinismo físico mencionado?
A Ciência responde fornecendo elementos sugestivos. Na verdade, o determinismo férreo do mundo inanimado vigora para os grandes corpos considerados em pequeno número; daí o sucesso das leis de Newton na previsão do movimento dos corpos celestes, da trajetória de um projétil, etc. É diferente em se tratando de corpos mínimos e em grande número, tal é o caso das partículas elementares da matéria; entra em jogo a probabilidade, isto é, leis estatísticas. De fato, as partículas subatômicas, como os elétrons, não admitem previsão exata como aceitam os planetas e cometas, e.g. Corpos muitíssimo pequenos têm um comportamento diverso do de corpos visíveis. Não é possível estabelecer, ao mesmo tempo, a velocidade e a posição de uma daquelas partículas - e sem conhecer os dois valores não há previsão de movimento. Logo, existe neste nível indeterminação, como se cada corpúsculo material pudesse realizar uma escolha entre várias possibilidades. Também a radioatividade ou desintegração espontânea do rádio (metal) mostra isso. Uma quantidade qualquer do rádio leva 1.590 anos para reduzir-se à metade sozinha; é a vida média. Isto é calculável com exatidão, mas quando um átomo se desintegrará ninguém consegue determinar; tanto ele fragmentar-se-á no próximo segundo, daqui a uma hora ou dentro de 1.000 anos... Tudo acontece como se ele tivesse liberdade para decidir acerca do momento de desintegrar-se, sem que nenhuma força externa possa alterar isso.
Entre os seres ,vivos, os genes exibem um comportamento semelhante. Genes são grandes moléculas de ácido nucléico encarregadas da transmissão das características de um organismo para os que descendam dele. De suas combinações e alterações surgem as modificações observadas nos animais e nas plantas. O fato importante aqui é que essas alterações, ditas mutações, não se podem antecipar; elas surgem de modo descontínuo.
Estes dados experimentais dão novo aspecto ao problema do livre-arbítrio- A matéria, viva ou inanimada, rege-se pelo determinismo completo no conjunto, considerando o que é grande e visível. Na intimidade, porém, considerando o que é infinitamente pequeno, vigora o indeterminismo que só admite o cálculo de probabilidade. são dois níveis distintos de estrutura e comportamento, regulados por leis diferentes.
No mundo mental, emerge um novo fator, cujo desempenho é bastante imprevisível, chamado consciência ou faculdade de conhecer a si mesmo. Pelo visto, não é demais supor que o ser humano seja dotado, igualmente, de vontade livre em maior ou menor escala.
Em 8 e 14, determinismo e livre-arbítrio foram explicados sumariamente. O que ali foi dito concorda com os aspectos fundamentais da questão segundo O Livro dos Espíritos e O Problema do Ser, da Destino e da Dor, questão que Ubaldi e Monteiro de Barros explanam sabiamente. Vamos agora distender um pouco mais as noções referentes a esse assunto relevante.
Percebemos que, no homem, existem os dois princípios de ação. Como entender isso? Apelando para um princípio superior a eles.
Ora, vimos que o princípio central da Lei de Deus é a evolução. Nos reinos animal e humano inferior prevalece o determinismo; o instinto dá o melhor sem o perigo da escolha malfeita e o selvagem age movido por impulsos semelhantes. O livre-arbítrio é progressivo e relativo, evoluindo do determinismo físico à medida que a consciência (razão) se desenvolve. Crescendo a razão, aumenta a liberdade de decidir; os padrões fixos de comportamento cedem lugar à opção inteligente. Em suma, o livre-arbítrio é uma conquista evolutiva. E, com ele, desponta um novo fator moral - responsabilidade ou necessidade de enfrentar as conseqüências dos atos praticados, que a Lei impõe a todos. Vimos acima que há restrições internas ao desempenho da liberdade. Convém observar que há também restrições externas no campo da atuação; o determinismo do mundo material interfere com a liberdade dos atos; ninguém pode impedir a neve de cair ou o vento de soprar, prendendo-o em casa e alterando programas traçados. Além disso, o apego às coisas materiais reduz a independência da ação do espírito.
Mas, em que sentido é livre o espírito humano? Percebemos nitidamente que, sob vários aspectos, não o é; que há inúmeros acontecimentos inevitáveis, razão do conceito de fatalidade, que devemos reformar.
A liberdade de decidir e agir existe antes da ação ser executada. Posta em movimento o agente prende-se aos efeitos das causas que gerou. Entra em cena a lei de causa e efeito ou de ação e reação, estudada a seguir, e da qual não é possível separar nitidamente as questões em pauta. Segue-se daí que a liberdade é condicionada, conforme conceitua Bozzano e que o livre-arbítrio é relativo - pois dependem do que se fez antes.
Todos gozamos, em graus diversos, de livre vontade e estamos presos ao determinismo. A liberdade reside no presente; podemos agir com independência por meio da faixa de consciente atual, que atende às necessidades da vida presente. A determinação promana do passado culposo. As causas que geramos no passado pelas próprias ações constituem a área de determinismo, conservada em estado inconsciente. Temos de reabsorver as conseqüências das más ações, o que a liberdade do presente garante porque, com ela, podemos emitir novos impulsos que venham corrigir os precedentes. Originando novas causas com o bem, hoje, é possível neutralizar as causas pretéritas do mal e reconquistar o equilíbrio. Muitas situações são armadas contra a nossa vontade:
as ações passadas constituem a faixa determinada do destino, da qual não há fuga. Mesmo nas piores condições, esclarece André Luiz (Ação e Reação), como uma prisão em cela, ainda vigora certa dose de liberdade de decidir, que poderá ser empregada para melhorar ou piorar a própria situação conforme o comportamento adotado; podemos sempre, na expiação, agravar ou atenuar nossa posição perante a Lei.
O livre-arbítrio do próximo não pode ser violado mediante a imposição de atitudes que ele deve assumir espontaneamente, por convicção própria. Onde há duas pessoas, há direitos a respeitar. A liberdade de um termina onde começa a de outro. semelhante violação significa débito a pagar.
Funciona melhor o livre-arbítrio no Espaço. O espírito tem conhecimento do que lhe cumpre passar e realizar na Terra e concordou com isso. A chamada "fatalidade" é a escolha feita, antes da encarnação, de uma expiação ou prova. Foi exercida a liberdade nessa ocasião. Depois, é como se o espírito houvesse traçado para si mesmo uma sorte de destino infalível. É uma escolha ou ajuste de interesse para a evolução moral e terá de cumprir-se inexoravelmente. Mas, nem tudo o que nos acontece deriva do passado. Queimar a mão poderá ser simplesmente imprudência; ter uma indigestão é sinal de excesso praticado.
A seguir, no tratamento da lei de causa e efeito, haverá forçosamente alguma repetição em vista das íntimas relações dela com o problema da liberdade de decisão e ação.
Evolução para o Terceiro Milênio - Edicel

DEUS INTERCEDE POR CADA UM DE NÓS?

 

Brennand de Sousa Bandeira
Questão que já rendeu verdadeiros tratados teológicos entre os doutores cristãos e que cada um de nós fazemos a nós mesmos sempre que nos escapole nossa tacanha fé.
As grandes doutrinas religiosas orientais, sobretudo as criacionistas – judaísmo, cristianismo e islamismo – são defensoras da providência direta de Deus sobre seus filhos. Assim sendo, Deus toma parte Ele próprio, na epopéia evolutiva humana ao revelar-Se primeiramente para Abraão, depois constituindo um nação inteira – através do mediunato de Moisés – ao libertar do cativeiro material os hebreus e por último com o advento da Boa Nova trazida pelo seu dileto filho revelando-nos a imortalidade.
Para cristãos em geral como também para judeus e árabes, a ação de Deus se processa no tempo de forma linear, ou seja, há um começo de tudo (gênese), o presente, onde Deus age através de seus enviados (profetas) e quando tudo finalmente se consuma (o apocalipse). Deus inicia, Deus provê, Deus arremata.
Na concepção das grandes religiões panteístas tais como a hinduísta e sua decorrente evolução (a Budista), o mundo é incriado. Enquanto o hinduísmo com seus 300.000 deuses é panteísta no sentido literal da palavra, no Budismo o panteísmo é entendido no sentido mais profundo que a palavra enseja. Por não crer na entidade Deus, trata-se de uma religião herética que coloca o próprio homem como fulcro para se atingir a perfeição (Jesus já falava-nos que éramos Deuses ). O objetivo maior do monge budista é atingir a suprema iluminação ou Nirvana quando o ego se expande no todo universal passando a atingir a condição de Buda (o iluminado), fundindo-se com o Cosmo.
No espiritismo apesar das mensagens dos Espíritos Superiores terem sido provenientes das mais diversas culturas do mundo como afirmou Kardec, há claramente um vínculo genealógico com o tronco cultural judaico-cristão.Os espíritos codificados são em sua maioria católicos. Colocam nossa doutrina na condição de 3ª revelação (afirmação pouco política porque tende a ser exclusivista) e colocam a Jesus como o Espírito mais evoluído já passado por esse orbe.
Posteriormente, psicografias de Francisco Cândido Xavier, médium para nós acima de qualquer suspeita, colocam o Nazareno como dirigente espiritual máximo do planeta tendo sido inclusive o orientador dos demais espíritos que elaboraram o processo de formação da Terra.
Polêmica ou não essa visão ganha o reforço de Djalma Mota Argolo, no meu modesto entendimento, um dos pensadores espíritas mais atualizados e menos ortodoxos. Segundo Djalma (é apenas uma suposição sua), Deus somente criaria Espíritos. Sob esse ponto de vista tudo o mais é decorrente da evolução e hierarquização dos mesmos, inclusive a formação dos corpos astrais no imenso laboratório sideral defendida por Emmanuel. Ainda nas informações de Emmanuel, cada nação está entregue ao seu guia espiritual (a nação brasileira está a cargo de Ismael).
É com base nestas duas visões que se complementam (Djalma e Emmanuel) que a partir daqui lanço a minha teoria da intervenção divina baseada estritamente na lógica espírita destes dois conhecidos autores.
Se a Terra está sobre o comando espiritual de Jesus, então Marte, Vênus, Júpiter e cada um dos planetas do nosso sistema estelar deverão ter seus respectivos timoneiros espirituais que por sua vez seguiriam instruções daquele que rege o sistema solar que por sua vez estaria sob a direção daquele(s) que dirige(m) a constelação em que o Astro Rei está inserida e assim sucessivamente numa vertical hierárquica que tenderia ao infinito (Deus). Desdobrando ainda mais essa tese, digo que seria através do encadeamento dessa relação moralmente verticalizada entre os Espíritos que a ação de Deus se interpõe entre os encarnados.
Os influxos divinos que chegariam até nós seriam antes uma reação decorrente de nossa própria condição existencial, ou seja, é através do nosso existir que vamos agindo e automaticamente corporificando as conseqüências de Suas infalíveis Leis, tanto no plano moral como no material. Daí Paulo de Tarso afirmar que agimos em Deus. Quando defende que nenhum cabelo de nossa cabeça cai sem a anuência de Deus, o Apóstolo dos Gentios logicamente não estava se referindo a ação direta do Todo Poderoso (autorizando a queda do cabelo), e sim a um reflexo Dele através da ação de uma Lei material. Esta Lei, no caso específico, englobaria as leis da genética (responsável pela calvície) e a lei da gravidade (que ocasiona a precipitação do cabelo em si).
Os Espíritos atuariam como gestores distributivos da Justiça da Divina. São eles, no processo reencarnatório, que realmente planejam todo o programa de nossa próxima existência, examinando criteriosamente nosso arcabouço multi-existencial, estudando nossas mais profundas carências espirituais para depois esclarecer-nos, encorajar-nos, sugerir-nos ou até mesmo impelir-nos amorosamente quando tentamos não assumir aos compromissos de responsabilidades.
A ação das entidades espirituais à nossa volta, consolando-nos, instruindo-nos, orientando em nosso processo reencarnatório, controlando os fenômenos meteorológicos, elaborando a formação de corpos celestes, interferindo na evolução genética dos seres vivos, na materialização ectoplasmática, no transporte de objetos, regenerando-nos o perispírito (primeiro passo para afetuação dos processos de cura) e em muitas outras maravilhas, leva-me a crer que a intuição de Djalma Argolo tem muita consistência: Deus criaria somente Espíritos (princípios inteligentes). Estes tornando-se e tomando parte – através do longo processo evolutivo – do imenso laboratório Divino, vão manipulando e interagindo com as infinitas possibilidades energéticas emanadas do Criador Primeiro.
E para finalizar diria que esta visão Djalmiana/Emmanuelina está de acordo com os modernos conceitos da física quântica segundo a qual o pensamento humano interfere involuntariamente no objeto de estudo analisado, trocando em miúdos, a mente exerce influência sobre a matéria. Se isto é capaz de ocorrer entre nós, espíritos retardatários aprisionados ao corpo, imaginem as possibilidades que um Puro Espírito, livre de todas as injunções da matéria, teria sobre o seu objeto de ação! E que objeto de ação seria este? O Plasma Divino conhecido entre nós como fluido cósmico universal, a poção mágica de onde tudo o mais surge sob a tutela de Deus, exceto nós, claro, pois o Espírito é um capricho exclusivo da Inteligência Suprema.

A FERRAMENTA DO BEM

Marcus Vinicius de Azevedo Braga
  1. A NECESSIDADE DE FAZER O BEM: Uma das questões cruciais e que funciona como um divisor de águas da Doutrina espírita em relação a outras religiões é a necessidade de se praticar o bem para o desenvolvimento espiritual. As palavras de Jesus4, "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" e o exposto na sua parábola do Bom Samaritano tornam bem claro esta questão. Não nos basta ser bons e pertencer ao grupo A ou B. É imperioso praticarmos o bem. A lei é de amor e o amor é que nos elevará. Por isso, o espiritismo cristão deve estar vinculado a prática da beneficência e este artigo buscará elucidar algumas razões desse imperativo.
  2. A PERSPECTIVA INTERVENCIONISTA: Ao contrário da história religiosa da humanidade, repleta de isolamentos, reclusões, clausuras e retiros espirituais, na busca de nos isolarmos do mundo3, inspirados nas temáticas do Filósofo Rosseau da Revolução Francesa, que pregava o corrompimento do homem bom pelo mundo, a perspectiva espírita enunciada por Kardec na sua máxima4 "fora da caridade não há salvação", incita-nos ao contato com o mundo na busca de transformá-lo e averba que o mundo somente se transformará quando transformarmos a nós mesmos. Ou seja, o espiritismo tem esse caráter intervencionista nas questões que se apresentem diante do cristão, combatendo a omissão e o isolamento, demonstrando que é na luta do mundo que crescemos rumo a perfeição.
    A reforma íntima é uma necessidade. Paradoxalmente, não haverá reforma íntima sem contato com o nosso próximo, mais próximo ou não. Como amar sem ter ação para o amor. Como perdoar sem ter objeto de perdão.
  3. FAÇA VOCÊ MESMO: Na década de oitenta nos deliciávamos com revistas que nos ensinavam a fazer os pequenos reparos de nossa residência. Essa lógica do "faça você mesmo" também se aplica a questão da prática do bem. Jesus já asseverava4 : "Vai tu e faze o mesmo", reforçando a necessidade da ação no bem ser realizada pessoalmente. As pessoas que nos rodeiam são a nossa ferramenta de progresso e não podemos olvidar que o nosso coração é um músculo poderoso, que precisa ser exercitado no sentido físico e principalmente no sentido espiritual.
    Na prática do bem não cabe terceirização. Mandar entregar na porta do centro espírita não tem o valor de se envolver na entrega. A prática do bem deve ser bilateral, ajudando a quem dá e permitindo a reflexão de quem recebe. Esse é o princípio que rege o Bônus-Hora6 descrito em Nosso Lar por André Luís. Somente tem valor quando permite a reflexão e reforma de quem praticou a ação. Caso contrário, instauraríamos um ranking de doações volumosas que nos conduziriam a "salvação", como na época das indulgências. Recordemos a passagem do óbolo da viúva, onde valeu mais aos olhos de Jesus aquela que tirou do seu próprio sustento. A matemática divina funciona subjetivamente.
  4. OS MOVIMENTOS SOCIAIS: Outrossim, consideremos sempre que "movimentos geram movimentos". A nossa ação no bem sempre se alinhará com outras iniciativas que em composição gerarão movimentos sociais em prol dos nossos irmãos menos favorecidos. Nenhum benemérito fundador fez ou faz tudo sozinho em qualquer obra assistencial.
    Entretanto, constatamos também que a sociedade influencia o espiritismo, por ser esse uma parcela dela. Na década de 70/80, fruto de conjunturas políticas, as pessoas se engajavam em movimentos sociais, onde existiam iniciativas diversas de preocupação com o coletivo, no campo da assistência, do ambientalismo e da educação. Podemos citar os grupos ambientais, o Projeto Rondon e os movimentos de Alfabetização de adultos. No espiritismo, observamos o florescer de caravanas, campanhas e iniciativas diversas no campo assistencial, onde as casas espíritas logo buscavam atrelar a sua programação diversas atividades assistenciais com a participação de seus freqüentadores.
    Na década de 90, observamos o individualismo campear em nossa sociedade, onde a tecnologia nos fez cada vez mais desiguais e isolados e estabeleceu níveis de conforto e divisão social nunca antes vistos. Hoje, o indivíduo pode pedir as suas compras pela internet, assistir ao filme no shopping transitando pelas ruas sem sair de seu automóvel, vivendo sem conviver, isolado no seu mundo e nas suas necessidades. No movimento espírita, observamos a explosão dos romances, falando de uma esperança passiva e a busca de um esoterismo voltado para previsões futurísticas e a busca da paz por fórmulas e meios exteriores, sem contar a desenfreada busca da cura do corpo.
  5. TERAPIAS E AUTO-AJUDA: Esses fatores geram uma tendência atual de terapizar-se tudo, em um "psicologismo" que reduz a problemática da criatura humana a solução por um simples diálogo como um passe de mágica. Os aspectos psicológicos da criatura são fundamentais, mas não podemos nos esquecer das questões do Coletivo. Essa preocupação com o indivíduo deságua em um conceito que muitos se equivocam em classificar as nossas obras espíritas que é a auto-ajuda.
    Podemos compreender a auto-ajuda como aquela literatura que expõe a felicidade como uma questão de disposição pessoal, de se sentir bem, de acreditar e se programar mentalmente para isso. Infelizmente, uma questão tão complexa aparece reduzida a uma questão da vontade momentânea indivíduo.
  6. A FELICIDADE: Isso ocorre pois o nosso conceito de felicidade está difuso. A felicidade está associada a ter coisas, ter status, ter reconhecimentos e direitos. Esquecemos que a vida é uma balança de direitos e deveres. Não há felicidade egoística. Não há como ser feliz se o nosso irmão está infeliz, se no mundo ainda há infelicidade. Por isso, Kardec assevera que a felicidade na Terra é relativa4. Confundimos hoje o nosso conceito de felicidade, ignorando que a felicidade está implícita no desejo de um mundo melhor. Um mundo que será construído por nós e que seremos felizes nesse processo e não se buscarmos diminuir tantos números do nosso manequim ou se não estamos nos aceitando com o nariz que nós nascemos. A felicidade transcende tudo isso e a sua conquista deve se fazer sem muletas.
  7. O PARADIGMA HOLÍSTICO: Tomando o Paradigma Holístico do mundo2, podemos ter bem claro a importância da ferramenta do bem como caminho da nossa felicidade. Segundo o livro "A canção da inteireza2", o homem inicialmente adotou um paradigma Teocêntrico, onde tudo se prendia a um mundo sobrenatural onde a vida existiria em função deste. Inicialmente subordinados as forças da natureza, passando para os deuses antropomórficos até quando o conceito cristão de ressurreição subordinou de vez a vida na terra a espera de outro mundo, chegando ao seu auge na Idade média com as indulgências.
    Com o renascentismo, quando Galileu tira a Terra do Centro do Universo, o paradigma antropocêntrico começa a levar o centro das questões para o homem, sendo este então a medida de tudo. Com os iluministas, temos o racionalismo de Descartes, onde todo conhecimento vem da razão e o Empirismo de Locke e Hume, onde todo conhecimento provém da experimentação, colocando a fonte de saber sempre pelo viés humano, reforçando através de Newton que o universo funciona como uma engrenagem determinista, gerando os modelos de pensamento para a futura sociedade industrial que através das revoluções tecnológicas se estabeleceu a vida que preza o "Ter" e o individualismo que vivemos em pleno auge nos dias de hoje. Mais uma vez, como na negritude da idade média, o homem se vê em uma encruzilhada temporal, tendo acesso aos bens de forma desigual e se preocupando cada vez mais consigo e com as suas necessidades enquanto o mundo padece da violência e do desamor.
  8. O FOCO NO COLETIVO: O paradigma Holístico propõe um novo foco. Nem no homem, nem no mundo que virá. Ele propõe que o Universo é um todo dinâmico que se relaciona. É um complexo sistema de relações e que o foco deve ser na interdependência. Toda ação que realizamos ecoa no universo e reverbera pelos outros elementos. A nossa relação é de Co-criadores, com o planeta e com a vida, sendo também co-responsáveis , como cita Emmannuel em A Caminho da luz5:
    "Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos "ais" do Apocalipse, a espiritualidade tem de penetrar as realizações do homem físico, conduzindo-as para o bem de toda a humanidade (Grifo nosso) ."
    Ou seja, o foco deve ser no bem de toda a humanidade, inclusive dos animais, das plantas e dos minerais, habitantes de nosso globo. O nosso desenvolvimento espiritual é uma responsabilidade individual que somente tem sentido no coletivo. Esse deve ser o foco. O espiritismo como doutrina libertadora e transformadora das consciências, para que entendamos que a solução de nossos problemas está na solução dos problemas do mundo e que os nossos grandes vultos, dentro da sua dimensão humana, também tinham seus problemas e não se imobilizaram em uma postura passiva, partindo para a Terapia da prática do bem, ferramenta que cura os nossos males e de nossos semelhantes.
  9. AMAR A SI MESMO E A DEUS ATRAVÉS DO PRÓXIMO: Sabemos que a auto-estima e o amor a si mesmo é uma condição fundamental, para que não incorramos novamente em flagelações e autocomiserações de outras épocas. Mas, faz-se mister amar a si mesmo e a Deus através do próximo, dentro do enunciado evangélico4 de que quando fazemos a um destes pequeninos, é ao Mestre que fazemos. A palavra Bem-estar não existe no dicionário espírita-cristão associada ao próprio bem da pessoa, pois metodologia nenhuma trará o nosso bem se não envolver o bem de nossos irmãos. Como amar a si mesmo se não amamos o mundo, a natureza e os nossos irmãos.
  10. O TRABALHO NA CASA ESPÍRITA: Após falarmos da evolução histórica do planeta, terminamos por nos defrontar com a nossa realidade diante da prática do bem. O que temos feito? A casa espírita é a Oficina que deve viabilizar as equipes que permitam aos freqüentadores a oportunidade de abraçar cada irmão, pois "a disciplina antecede a espontaneidade6" e se nos disciplinarmos para o bem no trabalho organizado, o nosso coração romperá o gelo de nossa sociedade para que possamos estender seu amor aos próximos mais próximos e a nós mesmos.
    Cabe-nos a construção na juventude do hábito da prática do bem desde cedo1, para que tenhamos como objetivos que todos sejam em um futuro trabalhadores e colaboradores da casa espírita, doando-se nas frentes que são inúmeras. Espíritas envolvidos e comprometidos com a causa da Casa espírita na construção de um mundo melhor. Um sonho, talvez, uma utopia, não.
  11. CONCLUSÃO: A ferramenta da nossa evolução está bem claro nas palavras do Espírito de Verdade4:
    "Espíritas, Amai-vos é o primeiro mandamento. Instrui-vos é o segundo"
    E como não cremos no amor como verbo intransitivo, cabe-nos utilizar esta ferramenta no palco do mundo para o nosso crescimento, na luta diária, onde realmente descobrimos quem somos e o que necessitamos ainda aperfeiçoar. Sem fórmulas mágicas...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. BRAGA, Marcus Vinícius de Azevedo. Alegria de Servir, FEB, 2001.
  2. CARDOSO, Clodoaldo Meneguello- A canção da inteireza- Uma visão holística da educação- Editora Summus - São Paulo- 1995
  3. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos, FEB.
  4. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo, FEB.
  5. XAVIER, F.C..A caminho da luz, pelo espírito Emmanuel, FEB.
  6. XAVIER, F.C.. Nosso Lar, pelo espírito André Luís, FEB.

POR QUE SER BOM?

                 

                   

 

Erika Marques de Britto
Muitos aqui já devem ter ouvido falar que é preciso ser bom, que é preciso fazer o bem e não praticar o mal...
Mas alguém já parou pra pensar porque? Qual é a vantagem que isso traz?
O bem está se tornando uma palavra comum no nosso dia a dia, mas o homem moderno encontra sempre algum motivo para recusar o exercício do bem se confessando incapaz para esta prática, ou alegando cansaço, falta de tempo ou seja, aqui e ali se justificando, dizendo que é muito difícil, ou impossível, ou que é melhor esperar um pouco.
O apóstolo Tiago, no versículo 17 do Capítulo 4 no Evangelho, afirma que Todo aquele que sabe fazer o bem e não faz, comete falta.
O Livro dos Espíritos nos diz na questão n. 643 que não há ninguém que não possa fazer o bem e que somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de poder praticá-lo. Diz ainda que o homem deve fazer o bem, no limite de suas forças, porque responderá pelo mal que causou, não tendo praticado o bem.
O “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo XVII, diz que o verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a Lei de Justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza. Quando interroga sua própria consciência, pergunta-se se não violou essa lei; se não fez o mal; pergunta-se se fez todo o bem que podia; também se deixou uma oportunidade de ser útil passar em branco; ou se alguém tem do que se queixar dele; enfim se fez ao outro tudo o queria que se fizesse por ele.
O homem compenetrado pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar retorno.
Devolve ao mal, o bem e se satisfaz com os benefícios que espalha, com os serviços que presta, com aqueles que torna feliz, com as lágrimas que seca.
Se primeiro movimento é de pensar nos outros, antes de pensar em si mesmo. Ele é bom, humano, benevolente com todo mundo, sem distinção de raças nem crenças, pois considera todos os homens como irmãos.
Ocasiões não faltam.
Diariamente multidões de doentes, desabrigados, famintos, nus e desorientados esperam por nós. Por exemplo, se encontramos um doente, sem possibilidades de tratamento e providenciamos sua melhora, simplesmente em troca da satisfação de vê-lo com saúde, pode nos trazer resultados incalculáveis de satisfação pessoal.
Só quem já passou por esse tipo de realização consegue julgar a pureza da emoção que nos domina, o encanto particular de podermos ser os ajudantes ativos, das vitórias do próximo. Talvez, esse tipo de ajuda, possa ajudar muitas pessoas a resgatar a confiança em Deus e isso depende de nós.
Mas, são raras as pessoas que param e se perguntam o que é o bem e o mal. E então como fazer para saber?
O bem é tudo aquilo que está de acordo com a Lei de Deus e o mal é tudo aquilo que dela se afasta. Deus nos deu inteligência para distinguirmos as várias situações que passamos e que fazemos os outros passarem. Essa intuição é o nosso termômetro para identificar o bem e o mal.
Jesus nos disse: “Vede o que quereríeis que vos fizessem ou não” e assim saberemos.
Parece simples, o que nos disse Jesus e realmente é, se treinarmos sempre, dia a dia, os ensinamentos que ele trouxe há 2000 anos.
Os homens freqüentemente cometem faltas, e aquele que tiver maior conhecimento,,,, e que for mais esclarecido é mais culpável aos olhos de Deus que o selvagem que se entrega aos instintos.
“Porque o mal se encontra na natureza das coisas?” pergunta Kardec. E os espíritos respondem: “Os espíritos foram criados por Deus, simples e ignorantes. Deus deixa a escolha do caminho ao homem: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa”.
Várias são as causas da maldade: o desequilíbrio econômico, a injustiça das leis, os preconceitos sociais, os vícios morais, a educação falseada, os desregramentos na conduta familiar e principalmente pelo materialismo.
O materialismo gera, egoísmo e orgulho e a partir daí tudo pode se transformar em maldade.
André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier, dizia que o mal não merece comentário, que não devemos perder tempo falando dos maus acontecimentos. Porque isto trás perturbação a mente e fazendo com que despejemos ondas vibratórias negativas no ambiente.
Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros.
O mal depende da vontade que se tem de fazê-lo e o homem é mais culpado quando melhor sabe o que faz.
Não existe a “Lei da Dor”, portanto, o sofrimento e a dor são conseqüências da ignorância do homem.
O mal sempre recai sobre aquele que o causou, na medida da responsabilidade em saber o que estava fazendo, e assim é julgado.
O importante é a intenção que leva a pessoa a qualquer ato.
Desfrutar do mal que outra pessoa causou, também é participar.
Desejar o mal a alguém, também é como se o tivesse feito.
Vem daí a expressão de que podemos “pecar” por pensamentos, palavras e obras.
Se alguém deseja o mal, e não o pratica, apenas por falta de oportunidades, também é culpado.
Não é suficiente apenas deixar de fazer o mal para nos mostrarmos agradáveis a Deus tentando garantir uma situação futura.
O que é preciso fazer é o BEM, nos limite de nossas próprias forças, pois cada um de nós responderá por todo mal que tiver acontecido por causa do bem que deixou de fazer.
O mérito do bem é relativo a dificuldade.
Ou seja , não há mérito em fazer o bem quando não custa nada. Para Deus vale mais o pobre que doa pois vai lhe faltar do que aquele que dá daquilo que lhe sobra.
Diante do bem e do mal, não devemos perder tempo, o certo é praticar o bem, apesar de que a prática do bem não nos isentar de enfrentar o mal, mas teremos a consciência tranqüila, paz e paciência para essa luta silenciosa, mas vitoriosa.
Vamos então pedir que Deus, nosso amado Pai, nos ajude e ilumine para que os ensinamentos dessa noite, façam morada em nossos corações. Que possamos refletir sempre com mais discernimento sobre tudo que estamos aprendendo. Que Deus nos permita aplicar no dia a dia o Seu amor e que a fé inabalável nos acompanhe sempre. Que assim seja!

A FALTADE COMPREENSÃO

 


O ser humano levado pela imaturidade que lhe faz companhia desde tempos imemoriais, acostumou-se a tudo querer sob a ótica do imediatismo, ao sabor da sua vontade, sem paciência para esperar que as coisas aconteçam no momento adequado, sem observar que a natureza não dá saltos, e que tudo está preestabelecido pelas sábias Leis que regulam o universo.
De certa forma essa atitude do homem, pode ser explicada não só pela sua imaturidade, como também pela ausência de amor em seu estado presente, o que não lhe faculta uma melhor visão da vida em seus múltiplos aspectos, pois é o amor que ilumina e harmoniza a criatura, é a alma da felicidade que preenche todos os vazios e aspirações do ser humano.
As pessoas carentes e perturbadas pela febre das posses externas acreditam que a felicidade reside na sucessão das glórias que o poder faculta e nos recursos que amealha. Ledo equívoco, por que o tormento da posse aflige e impulsiona a sua vítima a metas cada vez mais desmedidas, tornando sua existência numa busca desenfreada para possuir cada vez mais, não refletindo que a felicidade independe do que se tem momentaneamente, mas sim daquilo que se é, estruturalmente constituído pelo amor, sem necessidades de gestos grandiosos, manifestando-se nos pequeninos acontecimentos e situações naquele que o abriga.
Esta compreensão que o amor propicia conduz à solidariedade nos momentos difíceis, nas grandes dores, na solidão, na amargura que periodicamente aflige todas as criaturas, e que enquanto a pessoa não experimenta o suave envolvimento do amor, vive movimentando-se nas heranças dos desejos, nas teias dos instintos, sofrendo sempre quando os seus interesses não se encontram atendidos e suas aspirações não são correspondidas.
Preciso se faz ao homem entender que nos localizamos no contexto universal, e nossa tarefa essencial é a de auto-iluminação, que logo se desdobra em serviço a favor do progresso próprio e do seu semelhante, mediante a consideração pela ordem, não a violando, nem a submetendo aos caprichos e desejos que lhe predominam no mundo íntimo.
Alimentada pela seiva nutriente do amor, desenvolve-se no indivíduo os demais sentimentos da compaixão e da ternura, da caridade e do perdão, que são as partituras que mantêm as belas, suaves e harmoniosas melodias da vida.
Quanto mais se ama, mais nos inundamos de bênçãos alcançando as demais criaturas e envolvendo tudo a nossa volta, tornando-nos mais sadios, alegres, otimistas, sem preocupação doentia de possuir nada além do necessário para o nosso conforto e manutenção, entendendo definitivamente que os bens materiais não são capazes de nos fornecerem felicidade por mais que os tenhamos em abundância.

 José Francisco Costa Rebouças

A IMPORTÂNCIA DO SORRISO NA CASA ESPÍRITA

 


Outro dia um amigo me confidenciou que estava muito preocupado com a ausência de sorrisos e calor humano no interior das instituições espíritas. E que se nossa Doutrina é otimista, trazendo nova luz para a vida por que é que há tanta gente carrancuda dentro das instituições?
Não pude deixar de concordar com ele.
De fato, tenho percebido que muitas instituições, através de seus dirigentes e trabalhadores, à guisa de manter a seriedade doutrinária comprometem o seu bom humor, a simpatia, o calor humano, como se o mundo se resumisse às suas carrancas, ao sofrimento e ao pessimismo.
Não podemos esquecer que normalmente quem procura o centro espírita está com dificuldades, está desanimado, está sofrendo. Se mantemos uma postura sisuda, com humor fechado, e sem a luz de um sorriso, devemos saber que temos a chance de estarmos contribuindo para influenciar negativamente aqueles que nos procuram, piorando a sua situação.
Talvez por um atavismo judaico-cristão associado com a idéia equivocada de que o sofrimento é enobrecedor e é sinal de evolução (o que está errado, evidentemente) é que esses irmãos e irmãs que preferem a carranca ao sorriso estejam agindo assim.
Que jamais faltem sorrisos nos centros espíritas, pois nada mais animador do que ser recebido com um sorriso e com calor humano. Pois nós não somos máquinas. Somos seres humanos, seres espirituais, tendo o compromisso de transformar o mundo para melhor. Para que sombras em nosso rosto?
Não podemos esquecer que o abismo atrai o abismo e que sorrir sempre é a garantia de espalhar a paz e a alegria a contagiar aqueles que estão ao nosso redor, onde quer que seja.
E a casa espírita detém um papel de fundamental importância como irradiadora da luz, sendo nossa postura a lâmpada a propagar essa boa energia. Se fechamos o nosso rosto, estaremos impedindo o fluxo dessa luz. Pois “cara” fechada não é sinal de evolução.
 Joaquim Ladislau Pires Júnior

SOBRE O COMPORTAMENTO ALHEIO

♥

 
Como posso ver o mau se meus olhos não forem maus? Como posso reconhecer a impureza se eu mesmo não for impuro? Como posso ver a escuridão se eu não estiver cego; se eu não estiver de olhos fechados; se eu não estiver mergulhado nas trevas? Por ventura a luz vê as trevas?! Como posso ver a escuridão se sou luz? Ora, a luz nunca viu as trevas, simplesmente porque ambas nunca estiveram juntas! Se eu jugo, se eu difamo uma pessoa; não serão estas atitudes frutos do meu próprio coração?! O Senhor Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração! E Freud disse que nos irritamos exatamente com as pessoas que têm o mesmo comportamento que há em nós, o qual não o suportamos. Então para que julgar, para que difamar se a bíblia proíbe; se Jesus chamou Judas de amigo e Pilátos de autoridade constituída pelo Senhor?

O comportamento de outrem nunca cria nada em nós – nem humildade, nem exaltação –, ele apenas serve para revelar o que existente em nós. Assim, por meio da bíblia e da psicologia Freudiana, a nossa visão sempre está posta em um espelho, que só revela nossa identidade a nós. Lembre-se: A imagem está na tela do cinema, mas a imagem não vem da tela, ela vem do projetor – os nossos olhos.

Edson Carmo