ABRA SUA MENTE



Fecha teus olhos,abre tua mente e teu coração para a Verdade ...,porque

Ela pode ser invisível aos olhos humanos.Mas não aos olhos da sua consciência







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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

ÁGUAS DE OXALÁ

 Foto: ÁGUAS DE OXALÁ


Oxalufã (Oxalá velho) vivia com seu filho Ogum, mas sentia falta de Xangô, seu outro filho querido, Rei do povo iorubá. O velho queria tanto visitar seu filho, mas nada podia ser feito sem consultar o babalaô, senhor do destino. Oxalá vai visitar o adivinho, que o aconselha a desistir da viagem, os búzios não tinham visto bons presságios. Oxalá tem saudades do filho e, escondido, deixa o reino de Oxum rumo ao país dos Iorubás. No caminho, encontra uma velha que suava e arquejava sob o peso de um tonel de azeite. Oferece ajuda, mas seu cavalo foge e Oxalá sai correndo atrás dele. O povo da aldeia vendo o velho perseguir o cavalo o toma por um ladrão. Oxalá é capturado, agredido, tem suas pernas quebradas e é condenado pelo conselho da tribo a ficar 7 anos preso.

Enquanto isso, Xangô estava triste em seu palácio. Uma tristeza sem nome, sem razão. Uma pontada no peito tão doída que ele decide consultar o babalaô: o que é isso que me acontece? O adivinho mostra a ele a prisão onde seu pai, Oxalá espera. O filho parte para libertar o pai imediatamente. Saindo do fundo da prisão para a luz, Oxalá tem tanta sede, quer água, muita água. Xangô ordena que todos os seus súditos busquem água na fonte sagrada para Oxalá. E assim, o velho saciado e seu filho, o forte Xangô, encantados de estarem juntos, voltam para casa de Ogum, onde são recebidos com um enorme banquete. Xangô teve vontade de vingar-se das pessoas que prenderam e prejudicaram seu pai, mas Oxalá interveio e perdoou a todos.


Alguns dizem que este ítan (mito) explica os porque das duas cores de Xangô: além do vermelho, como Senhor do fogo, recebeu também o branco, como recompensa por haver carregado Oxalufã, Orixá da alvura e da pureza. Contam ainda que foi devida a esta passagem que surgiu a cerimônia Águas de Oxalá, que é o ritual de lavação das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia. Uma das características da cerimônia é o Obô que consiste em milho branco cozido sem sal, ao qual algumas tribos africanas acrescentam limo da costa. Obô foi o prato de sustentação no banquete oferecido no regresso se Oxalufã para a casa de Ogum. O milho utilizado no preparo do Obô é triturado no pilão de Xangô.


Oxalufã (Oxalá velho) vivia com seu filho Ogum, mas sentia falta de Xangô, seu outro filho querido, Rei do povo iorubá. O velho queria tanto visitar seu filho, mas nada podia ser feito sem consultar o babalaô, senhor do destino. Oxalá vai visitar o adivinho, que o aconselha a desistir da viagem, os búzios não tinham visto bons presságios. Oxalá tem saudades do filho e, escondido, deixa o reino de Oxum rumo ao país dos Iorubás. No caminho, encontra uma velha que suava e arquejava sob o peso de um tonel de azeite. Oferece ajuda, mas seu cavalo foge e Oxalá sai correndo atrás dele. O povo da aldeia vendo o velho perseguir o cavalo o toma por um ladrão. Oxalá é capturado, agredido, tem suas pernas quebradas e é condenado pelo conselho da tribo a ficar 7 anos preso.

Enquanto isso, Xangô estava triste em seu palácio. Uma tristeza sem nome, sem razão. Uma pontada no peito tão doída que ele decide consultar o babalaô: o que é isso que me acontece? O adivinho mostra a ele a prisão onde seu pai, Oxalá espera. O filho parte para libertar o pai imediatamente. Saindo do fundo da prisão para a luz, Oxalá tem tanta sede, quer água, muita água. Xangô ordena que todos os seus súditos busquem água na fonte sagrada para Oxalá. E assim, o velho saciado e seu filho, o forte Xangô, encantados de estarem juntos, voltam para casa de Ogum, onde são recebidos com um enorme banquete. Xangô teve vontade de vingar-se das pessoas que prenderam e prejudicaram seu pai, mas Oxalá interveio e perdoou a todos.


Alguns dizem que este ítan (mito) explica os porque das duas cores de Xangô: além do vermelho, como Senhor do fogo, recebeu também o branco, como recompensa por haver carregado Oxalufã, Orixá da alvura e da pureza. Contam ainda que foi devida a esta passagem que surgiu a cerimônia Águas de Oxalá, que é o ritual de lavação das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia. Uma das características da cerimônia é o Obô que consiste em milho branco cozido sem sal, ao qual algumas tribos africanas acrescentam limo da costa. Obô foi o prato de sustentação no banquete oferecido no regresso se Oxalufã para a casa de Ogum. O milho utilizado no preparo do Obô é triturado no pilão de Xangô.

NÃO TEMA O INIMIGO EXTERNO

 
 


 


 




Foto: NÃO TEMA O INIMIGO EXTERNO



Aqueles que adoram òrìsá estão empenhados em encontrar uma maior consciência de si e do mundo.  Ifá ensina que este caminho tem suas raízes no processo de superação do medo.  Há aqueles que vivem com medo e perpetuam este medo em vez de encontrar o seu destino. Ifá como a maioria das tradições espirituais, ensina que o medo é superado pela coragem.  Não há maneira fácil de acessar a coragem e a cada confronto com o medo envolve uma ação, apesar do medo. Ifá reconhece que uma das maneiras mais fáceis de evitar o medo é sufocá-lo.

Por exemplo, se alguém está com medo de falhar, enquanto procura um emprego, argumentando que o medo pode negar que não há empregos disponíveis.  Os psicólogos chamam esse processo de “deriva”.

Um elemento-chave na vida em harmonia com o òrìsá é a capacidade de identificar, apoiar e transformar esses medos internos que impedem a ação.

Este provérbio é muito claro em afirmar que uma vez que os medos interiores forem superados. os medos que ocorrem no mundo exterior tornam-se insignificantes. Um dos rituais usados para desafiar o medo é a invocação de Ogum. A invocação é seguida por um pedido a Ogum para que os obstáculos que estão no caminho sejam removidos para o fortalecimento do destino pessoal.  Quanto mais eu sabia que Ogum era reverenciado na África por este motivo, mais claro também ficava para as pessoas que atendiam a este chamamento a Ogum, a surpresa ficava em descobrir que os obstáculos são internos e não externos.

Em termos literais a obstrução é imaginária e não real. De acordo com as escrituras de Ifá, os obstáculos criados são chamados de “demônios” imaginário ou em nossa cultura chamamos de Elenini. Os demônios imaginários são difíceis de dissipar, porque eles permanecem ilusórios, sempre mudando de forma, pouco antes de uma real transformação ocorrer. Eu acho que muitas pessoas que disseram que queriam ter sucesso em suas carreiras, mas nunca fizeram progressos concretos, freqüentemente tinham muitas desculpas para esta situação, normalmente focavam em exemplos reais de tratamento injusto.

Quando a divinação indica que a questão principal é o medo do sucesso, a mensagem pode ser muito difícil de ser  aceita. Na minha experiência, aqueles que não aceitam que o seu problema é o medo, geralmente são aqueles que não progridem.




Aqueles que adoram òrìsá estão empenhados em encontrar uma maior consciência de si e do mundo. Ifá ensina que este caminho tem suas raízes no processo de superação do medo. Há aqueles que vivem com medo e perpetuam este medo em vez de encontrar o seu destino. Ifá como a maioria das tradições espirituais, ensina que o medo é superado pela coragem. Não há maneira fácil de acessar a coragem e a cada confronto com o medo envolve uma ação, apesar do medo. Ifá reconhece que uma das maneiras mais fáceis de evitar o medo é sufocá-lo.



Por exemplo, se alguém está com medo de falhar, enquanto procura um emprego, argumentando que o medo pode negar que não há empregos disponíveis. Os psicólogos chamam esse processo de “deriva”.



Um elemento-chave na vida em harmonia com o òrìsá é a capacidade de identificar, apoiar e transformar esses medos internos que impedem a ação.



Este provérbio é muito claro em afirmar que uma vez que os medos interiores forem superados. os medos que ocorrem no mundo exterior tornam-se insignificantes. Um dos rituais usados para desafiar o medo é a invocação de Ogum. A invocação é seguida por um pedido a Ogum para que os obstáculos que estão no caminho sejam removidos para o fortalecimento do destino pessoal. Quanto mais eu sabia que Ogum era reverenciado na África por este motivo, mais claro também ficava para as pessoas que atendiam a este chamamento a Ogum, a surpresa ficava em descobrir que os obstáculos são internos e não externos.



Em termos literais a obstrução é imaginária e não real. De acordo com as escrituras de Ifá, os obstáculos criados são chamados de “demônios” imaginário ou em nossa cultura chamamos de Elenini. Os demônios imaginários são difíceis de dissipar, porque eles permanecem ilusórios, sempre mudando de forma, pouco antes de uma real transformação ocorrer. Eu acho que muitas pessoas que disseram que queriam ter sucesso em suas carreiras, mas nunca fizeram progressos concretos, freqüentemente tinham muitas desculpas para esta situação, normalmente focavam em exemplos reais de tratamento injusto.



Quando a divinação indica que a questão principal é o medo do sucesso, a mensagem pode ser muito difícil de ser aceita. Na minha experiência, aqueles que não aceitam que o seu problema é o medo, geralmente são aqueles que não progridem.

CONHEÇA-TE A TI MESMO





 FACEBOOK: MO JUBÁ


Gira de Exu e o terreiro enche.
Na expectativa de milagres fáceis ou mesmo por achar que exu seja uma espécie de “Office-boy do além”, muitos recorrem aos terreiros solicitando soluções emergenciais às suas tormentas.
O dirigente abre a gira e após todo ritual pertinente os exus e pomba giras incorporam nos médiuns e aguardam o atendimento que acontece adiante...
- Salve tu moça!
- O ... oi... Boa noite...
- Boa noite moça, é sua primeira vez por estas bandas?
- Sim.
- Seja bem vinda.
- Obrigada!
- O que lhe traz aqui?,
- Então Exu, é que meu irmão precisa separar da noiva...
- ...
- Pois é, ela só faz inferno na minha vida e sei que ele não é feliz, ele abandonou a família, eu moro com ele e ela está tirando-o do seio familiar...
- ...
- Bem, pensando nisso é que trouxe o RG dele, uma foto dela, uma roupa dela e endereço dele...
- “Mais uma serpente revestida de santa” – meditou o exu.
- Então Exu? O que fará para livra-lo desta piranha?
Esta afirmação bastou para que o Exu se manifestasse.
- Certo moça vamos ler o que vejo aqui, primeiro saiba que esta mulher que está com seu irmão o ama verdadeiramente sendo igualmente correspondida, ele jamais imaginou viver tamanho sentimento e nela encontrou o sentido de liberdade e crescimento. Liberdade porque finalmente se livrará de você, uma mulher encalhada e ressequida no coração, que não acredita no amor, não se movimenta para mudar sua realidade, vive do dinheiro que ele lhe dá e acomodada com esta vidinha e medo de perder tudo isto, sente-se no direito de ter o seu irmão como posse para que nada mude na sua vida a ponto de se propor a encomendar um “feitiço” para desgraçar a vida dele e por fim amarra-lo em você.
- Moça, esta é sinceramente uma das situações mais inusitadas que vivencio, uma irmã querendo amarrar o irmão, enquanto que o normal seria uma apaixonada querendo prender o apaixonado. Pior é este sentimento que te move, covarde e inescrupuloso...
A mulher já em prantos, reconhecendo o erro que cometera não consegue pronunciar uma palavra ao que o exu finaliza.
- Sendo assim, pegue esta roupa, fotos e demais elementos, volte pra sua casa, olhe no espelho e se envergonhe de ser o que está sendo, se proponha a mudar e trate bem esta mulher que será a companheira do seu irmão, tenha nela sua amiga que jamais irá te desamparar, antes de dormir ore ao Criador pedindo perdão por envergonha-lo.
- Desculpe Exu....
- Leve esta vela, acenda quando sentir vontade e lembre-se que neste dia se deparou com um Exu...tenha uma boa noite...
- Desculpe Exu...
Pois é leitor, estas situações são mais comuns do que parecem. Acredite, esta é uma história verídica e bem resumida que narra o egoísmo humano, a covardia e o julgo inversor de valores. Por vezes nos deparamos com situações que não nos pertencem, avaliamos atitudes, alegrias, tristezas e decisões das pessoas no nosso convívio sem que sejamos interpelados para isso, tomamos em nossas mãos o papel de juiz da vida alheia, promotor e executor de tudo aquilo que não nos compete.
Não vou me ater em delongas e proponho a você leitor, por algum momento se sentiu na história? Sobre quem e o que falaste nos últimos dias? Você fala ou escuta mais?
Responda sinceramente estas questões e ao se olhar no espelho lembre-se da frase tão preconizada pelo pensador Sócrates:
- Conheça-te a ti mesmo. Perceba como deve agir e seja feliz.

OSE DUDU - SABÃO PRETO AFRICANO



Ose Dudu – Sabão Preto Africano
Foto: Ose Dudu – Sabão Preto Africano


Ao contrário dos sabões comerciais, que são feitos de produtos químicos sintéticos, o ose dudu é muito hidratante para a pele. Isso acontece porque é feito de dendê virgem e Manteiga de Karité. 

A receita básica é secular, das antigas tradições, tendo sido transmitida ao longo de gerações.

É feito de forma artesanal, não sendo encontrado em farmácias, somente em lojas específicas de produtos africanos, normalmente na forma bruta.
O Sabão preto é conhecido na África Ocidental por vários nomes, mas o mais comum é Ose Dudu, que é derivado do Anago ou línguas iorubá da Nigéria, Benin e Togo. Significando, literalmente, sabão (ose) Preto (Dudu).

Embora conhecido como "negro", o sabão preto Africano varia de um marrom claro ao preto profundo, dependendo dos ingredientes e modo de preparação.
As cascas, folhas e vagens do cacau também são utilizadas para dar a cor característica.

O óleo usado para fazer o sabão varia de região para região, e inclui óleo de palma, óleo de palmiste, óleo de coco, manteiga de cacau e manteiga de karité. Qualquer combinação destes ingredientes é possível, e é determinado como base. Além disso, o cloreto de potássio, que é usado para fazer sabão preto africano, pode ser derivado a partir das cinzas de várias fontes vegetais, incluindo frutos do cacau, cascas de karité , folhas de bananeira e os subprodutos da produção de manteiga de karité.

O cloreto de potássio utilizado provém das cinzas de folhas de bananeira, resíduos de manteiga de karité e da casca de uma árvore local chamada Agow.

A casca é colhida de forma a não prejudicar a árvore.
O processo de elaboração do sabão é altamente sofisticado e exige a agitação das mãos, por pelo menos um dia inteiro, e um estágio de maturação (cura), por duas semanas.

O sabão pode ser processado por fusão , em fogo direto, com uma pequena quantidade de água. Durante esta fase de fusão, a textura do sabão se torna mais suave e há uma mudança de cor para um marrom chocolate.

O sabão derretido é então prensado em blocos, que podem ser cortados em barras para facilidade de uso.
O sabão preto é comumente feito pelas mãos de mulheres das aldeias africanas, que fazem o sabão para si e para sustentar suas famílias.

As mesmas mulheres que fazem sabão preto optam por usar apenas sabão preto em seus bebês, pois a pureza do sabão faz com que não resseque a pele. Na verdade, o sabão preto é geralmente o único sabão utilizado na maioria dos países do oeste Africano. É uma fonte natural de vitaminas A, E e ferro, ajudando a fortalecer a pele e cabelo.

Por séculos, os ganenses e nigerianos têm usado sabão preto para ajudar a aliviar a oleosidade da pele, a psoríase, a acne, as manchas claras e vários outros problemas de pele.
As mulheres africanas usam-no durante a gravidez, para mantê-las sem estrias.

Sua utilização dentro do Culto Tradicional Yorubá: 

Banhos de limpeza espiritual, Afoxé (encantamento usado em um chifre), bem como no preparo de outras Oògùn (medicina/remédio/magia).

As magias serão preparadas da seguinte forma:

Através de uma consulta a Ifá, o Sacerdote irá identificar as causas do transtorno, e sobre ela irá intervir com tratamentos que irão atuar a nível espiritual e/ou biológico.

Após identificar quais elementos utilizar, como: ervas  e/ou plantas específicas; cascas, rezina ou favas de árvores; Minerais; Fósseis, Pele e Sangue de animais; entre outros... Ele irá misturá-los a massa base do sabão e fará, então,  um encantamento, utilizando palavras mágicas que darão poder ao sabão (Ofó), transformando-o assim num elemento mítico, com poderes de cura.


Ao contrário dos sabões comerciais, que são feitos de produtos químicos sintéticos, o ose dudu é muito hidratante para a pele. Isso acontece porque é feito de dendê virgem e Manteiga de Karité.

A receita básica é secular, das antigas tradições, tendo sido transmitida ao longo de gerações.

É feito de forma artesanal, não sendo encontrado em farmácias, somente em lojas específicas de produtos africanos, normalmente na forma bruta.
O Sabão preto é conhecido na África Ocidental por vários nomes, mas o mais comum é Ose Dudu, que é derivado do Anago ou línguas iorubá da Nigéria, Benin e Togo. Significando, literalmente, sabão (ose) Preto (Dudu).

Embora conhecido como "negro", o sabão preto Africano varia de um marrom claro ao preto profundo, dependendo dos ingredientes e modo de preparação.
As cascas, folhas e vagens do cacau também são utilizadas para dar a cor característica.

O óleo usado para fazer o sabão varia de região para região, e inclui óleo de palma, óleo de palmiste, óleo de coco, manteiga de cacau e manteiga de karité. Qualquer combinação destes ingredientes é possível, e é determinado como base. Além disso, o cloreto de potássio, que é usado para fazer sabão preto africano, pode ser derivado a partir das cinzas de várias fontes vegetais, incluindo frutos do cacau, cascas de karité , folhas de bananeira e os subprodutos da produção de manteiga de karité.

O cloreto de potássio utilizado provém das cinzas de folhas de bananeira, resíduos de manteiga de karité e da casca de uma árvore local chamada Agow.

A casca é colhida de forma a não prejudicar a árvore.
O processo de elaboração do sabão é altamente sofisticado e exige a agitação das mãos, por pelo menos um dia inteiro, e um estágio de maturação (cura), por duas semanas.

O sabão pode ser processado por fusão , em fogo direto, com uma pequena quantidade de água. Durante esta fase de fusão, a textura do sabão se torna mais suave e há uma mudança de cor para um marrom chocolate.

O sabão derretido é então prensado em blocos, que podem ser cortados em barras para facilidade de uso.
O sabão preto é comumente feito pelas mãos de mulheres das aldeias africanas, que fazem o sabão para si e para sustentar suas famílias.

As mesmas mulheres que fazem sabão preto optam por usar apenas sabão preto em seus bebês, pois a pureza do sabão faz com que não resseque a pele. Na verdade, o sabão preto é geralmente o único sabão utilizado na maioria dos países do oeste Africano. É uma fonte natural de vitaminas A, E e ferro, ajudando a fortalecer a pele e cabelo.

Por séculos, os ganenses e nigerianos têm usado sabão preto para ajudar a aliviar a oleosidade da pele, a psoríase, a acne, as manchas claras e vários outros problemas de pele.
As mulheres africanas usam-no durante a gravidez, para mantê-las sem estrias.

Sua utilização dentro do Culto Tradicional Yorubá:

Banhos de limpeza espiritual, Afoxé (encantamento usado em um chifre), bem como no preparo de outras Oògùn (medicina/remédio/magia).

As magias serão preparadas da seguinte forma:

Através de uma consulta a Ifá, o Sacerdote irá identificar as causas do transtorno, e sobre ela irá intervir com tratamentos que irão atuar a nível espiritual e/ou biológico.

Após identificar quais elementos utilizar, como: ervas e/ou plantas específicas; cascas, rezina ou favas de árvores; Minerais; Fósseis, Pele e Sangue de animais; entre outros... Ele irá misturá-los a massa base do sabão e fará, então, um encantamento, utilizando palavras mágicas que darão poder ao sabão (Ofó), transformando-o assim num elemento mítico, com poderes de cura.

FIOS DE CONTA




Na mitologia sobre a invenção do candomblé, os colares de contas aparecem como objectos de identificação dos fiéis aos deuses e o seu recebimento, como momento importante nessa vinculação. De acordo com o mito, a montagem, a lavagem e a entrega dos fios-de-contas constituem momentos fundamentais no ritual de iniciação dos filhos-de-santo, os quais, daí em diante, além de unidos, estão protegidos pelos orixás.

Feitos com contas de diferentes materiais e cores, esses fios apresentam uma grande diversidade e podem ser agrupados por tipologias de acordo com os usos e significados que têm no culto. Assim, acompanham e marcam a vida espiritual do fiel, desde os primeiros instantes da sua iniciação até às suas cerimónias fúnebres.

Como nos momentos da montagem e do recebimento, também o instante da ruptura é significativo; entretanto, o rompimento do fio-de-contas, mais do que indicar um mau presságio, que assusta e preocupa o indivíduo e a comunidade, pode ser o início de um novo ciclo, um recomeço, um momento de viragem que pede um novo fio. Dos primeiros fios – simples, ascéticos e rigorosos – às contas mais livres, exuberantes, complexas e personalizadas que a pessoa vai produzindo ou ganhando ao longo do tempo, delineia-se o caminho de cada um na sua vinculação aos orixás e à comunidade do terreiro.

Desta maneira, mais do que a libertação do gosto particular, as transformações nos colares revelam o conhecimento adquirido pela pessoa e sua ascensão na hierarquia religiosa. De tal modo que um leigo pode passar despercebido por um fio-de-contas ou vê-lo apenas como um adorno, enquanto um iniciado na cultura do candomblé o tomará como um objecto pleno de significados, que pode ser “lido” e no qual é possível identificar a raiz, o orixá da cabeça e o tempo de iniciação, entre outros dados da vida espiritual de quem o usa.

Dos ritos secretos e espaços fechados do culto aos orixás, os fios-de-contas ganharam o mundo e adquiriram novos usos. De África vieram para o Brasil e para todo o mundo onde o candomblé se tem difundido. Hoje, devido ao sincretismo religioso, além dos espaços de culto, é possível observar a presença de fios-de-contas em lugares inusitados como automóveis e lojas, mas já destituídos das funções e sentidos primordiais, usados apenas para proteger os espaços e as pessoas contra maus agouros.

Pode ser chamado fio-de-contas desde aquele de um fio único de missangas até a um colar com vários fios presos por uma ou várias firmas. A quantidade de fios pode variar de uma nação para outra na correspondência de cargos.

Na hierarquia do candomblé toda a pessoa que entra para a religião será um Abiã e assim permanecerá até que se inicie. Ao Abiã só é permitido o uso de dois fios-de-contas simples de um fio só, um na cor branco leitoso que corresponde a Oxalá, de acordo com a nação e um na cor do Orixá da pessoa, quando já tenha sido identificado, dessa forma pode-se saber que a pessoa é um Abiã e qual é o seu Orixá.

Um Egbomi usa diversos colares de um fio só, com contas na cor dos Orixás que já tem assentados e estas já podem ser intercaladas com corais ou firmas Africanas.

Tipos de fios-de-contas:

Yian/Inhãs: Fios de uma só “perna”, isto é, o colar simples de uma só fiada de missangas cuja medida deve ir até a altura do umbigo.

Delogum: Colares feitos de 16 fiadas de missangas com um único fecho cuja medida, como os Inhãs, vai até à altura do umbigo. Cada Iaô deve possuir, normalmente, um Delogum do seu orixá principal e outro do orixá que o acompanha em segundo plano.

Brajá: longos fios montados de dois em dois, em pares opostos. Podem ser usados a tiracolo e cruzando o peito e as costas. É a simbologia da inter-relação do direito com esquerdo, masculino e feminino, passado e presente. Quem usa esse tipo de colar é um descendente dessa “união”.

Humgebê/Rungeve: Feito de missangas marrons, corais e seguis (um tipo de conta).

Lagdibá/Dilogum: Feito de fios múltiplos, em conjuntos de 7, 14 ou 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica).

As Cores dos fios-de-contas de cada Orixá:


Exú – Contas Pretas intercaladas com Contas Vermelhas ou contas Cinzas.

Ogum – Contas Verde ou azul marinho

Oxóssi – Contas Azul-turquesa

Omulú – Contas Brancas Raiadas de Preto e Marrom

Oxumaré – Contas verdes Raiadas de Amarelo

Ossaim – Contas Verdes rajadas de branco

Iroko – Contas Verdes intercaladas com Contas marron

Logun Edé – Contas Azul-turquesa intercaladas com Contas douradas.

Oxum – Contas Douradas ou Contas de Âmbar

Iemanjá – Contas Brancas translúcidas ou Contas de Cristal

Iansã – Contas Marrom ou Contas de Coral.


Obá – Cinco Contas Vermelho escuro intercalada com uma Conta Amarela, podem ser tipo cristal.

Ewá – Contas Vermelhas rajadas de amarelo

Nanã – Contas Brancas Rajadas de Azul marinho

Xangô – Contas Vermelhas ou marron intercaladas com Contas Brancas

Oxalá – Contas Branco Leitoso.

OSSAIN

 Foto: Ossâim:

Orixá masculino de origem nagô (Iorubá) que, como Oxóssi habita a floresta. É bastante cultuado no Brasil, recebendo diversos nomes como Ossânin, Ossonhe, Ossãe e Ossanha , uma das formas mais populares. Por causa do som feminino é frequentemente confundido como figura feminina. É um orixá cujos filhos são raros, bem menos numerosos do que Ogum, Xangô ou Oxum. 
É orixá da cor verde, do contato mais íntimo com a natureza. As áreas consagradas a Ossâim não são os jardins cultuados de maneira tradicional, mas sim os recantos, onde só os sacerdotes podem entrar, nos quais as plantas crescem de maneira selvagem, quase sem controle. Orixá de grande significação, pois todos os rituais importantes utilizam o "sangue-escuro" que vem dos vegetais, seja em forma de amassis, infusões ou para uso de bebida ritualística. É comum dentro da Umbanda existir um certo preconceito com dois Orixás que muitas vezes são esquecidos, mais existem em Umbanda e se faz necessário o culto: Ossâim e Oxumarê. O primeiro está presente em todos os rituais através das folhas e o segundo presente em quase todos os rituais por ser o Orixá das cores e dos aromas. Por não terem sido muito divulgados, pensa-se serem orixás de Candomblé, grande erro. Dois orixás de grande valia dentro do culto de Umbanda. Segundo lendas, Ossâim era o dono de todas as folhas e era necessário que os Orixás dependessem dele para obter certas folhas e certos sumos. 
Como os orixás raramente se submetem a qualquer tipo de autoridade, a rebelião se fez e Iansã com seus ventos espalhou as folhas de Ossâim, fazendo com que cada Orixá pegasse a sua de acordo com sua esfera de atribuições. Mas muitas ervas e plantas ainda continuam sob o domínio de Ossâim, e mesmo as que hoje estão sob domínio dos outros orixás, ainda necessitam de certas rezas e preceitos que só Ossâim conhece. Nesse contexto o poder de Ossâim foi dividido, mas permanece paradoxalmente com ele, realçando outra característica do Panteão Africano: a dependência dos Orixás. Apesar de cada Orixá reinar sobre uma área específica do conhecimento e da atividade humana, acaba influindo genericamente sobre os domínios dos outros Orixás. Por isso um filho de Iansã deve manter boas relações espirituais com Ossâim para poder realizar os trabalhos e obrigações devidos à própria Iansã ou a Exu, como também deve invocar Oxum quando tiver problemas sexuais ou relativos a paternidade ou maternidade. Se cada ser humano é individualizado pela soma das características e presenças energéticas de seus próprios orixás - o primeiro (eledá) e o segundo (ajuntó) orixá, também troca energias com as outras fontes de Axé que regularizam e ditam as normas de seu relacionamento com outras áreas do conhecimento. É a convivência dos diferentes, mas complementares, que viabiliza a mitologia dos orixás e a existência do ser humano em sociedade. Não é orixá das lutas, do fogo, dos grandes amores e das guerras incontroláveis. É orixá da técnica, do uso das folhas que são empregadas quando necessárias, usadas de forma condutora da busca do equilíbrio energético, do contato do homem com a sua divindade, que nada mais é do que a sua essência. Não faz parte das lendas de Ossâim um número de relações familiares e sexuais de destaque, pois geralmente é apresentado como um ser solitário, vagando nebulosamente pela floresta e não habitando lar específico. Em algumas histórias é apresentado como uma figura de uma perna só. Em outras é chamado de Aroni, um anãozinho que como o saci pererê da mitologia, traz sempre na boca um cachimbo. Para alguns pesquisadores, a diferença existente entre Ossâim e Omolu-Obaluaiê, seria de que um traz a doença e o outro traria a cura. Mas tal definição não é adequada já que Omulu-Obaluaiê também traz a cura. Classificar Ossâim como Orixá da medicina seria uma visão parcial de sua real potencialidade mítica. Ossâim seria aquele a quem se pede a ajuda para libertação de diferentes problemas, seja a doença, sejam os encantamentos. Omulu-Obaluaiê é a quem se pede a cura, depois que ele mesmo muitas vezes envia a doença. Outra diferença seria que Ossâim é mais invocado nas doenças e problemas individuais enquanto Omulu-Obaluaiê é o que castiga socialmente, dizimando colheitas ou populações inteiras. Ossâim seria também o curandeiro do ponto de vista da magia e dos encantamentos, enquanto Omulu-Obaluaiê seria o curandeiro do ponto de vista das rezas e da manifestação de espíritos curadores que trabalhariam a seu mando. Como tantos outros magos, vive sozinho, em estreita e diária ligação com as plantas, com os pássaros com quem parece se comunicar, é misterioso e solitário ermitão. 
Os filhos de Ossâim são aqueles que não permitem que suas simpatias e antipatias subjetivas e individuais intervenham em suas decisões ou influenciem as suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos. Ossâim é reservado, pouco intervindo em questões que não lhe digam respeito. Não é introvertido, mas não se faz notar pela atividade social. Os filhos de Ossâim são individualistas no sentido de não se preocuparem com o que acontece fora da sua esfera. São pessoas muito ligadas a religiosidade e pelos aspectos ritualísticos. A ordem, os costumes, as tradições e os gestos marcados e repetitivos o fascinam. São pessoas meticulosas, nunca se deixando levar pela pressa ou pela ansiedade, pois é caprichoso. Por isso as profissões dos filhos de Ossâim são aquelas que não requeiram pressa. São pessoas que não gostam de trabalhar em conjunto, há não ser quando somente o conjunto pode gerar o resultado esperado. Pela necessidade de isolamento e independência, os filhos de Ossâim podem abraçar profissões artesanais, que exijam o trabalho lento e meticuloso, como um ritual que quando não feito de maneira correta e meticulosa pode botar tudo a perder. Em termos físicos, são pessoas elegantes e esguias, mesmo quando tem como ajuntó Yemanjá ou Oxum. Não aparentam grande força física, mas detém uma grande energia reservada para uso quando necessário. Uma particularidade física muito comum são os cabelos lisos e compridos. São capazes de amar, mas não o tempo todo. O silêncio, porém, não pode ser entendido como sinônimo de falta de carinho: é apenas seu gosto pela ausência de sons, pois, quando há algum problema, ele dificilmente esconde seu ponto de vista.

Orixá masculino de origem nagô (Iorubá) que, como Oxóssi habita a floresta. É bastante cultuado no Brasil, recebendo diversos nomes como Ossânin, Ossonhe, Ossãe e Ossanha , uma das formas mais populares. Por causa do som feminino é frequentemente confundido como figura feminina. É um orixá cujos filhos são raros, bem menos numerosos do que Ogum, Xangô ou Oxum.
É orixá da cor verde, do contato mais íntimo com a natureza. As áreas consagradas a Ossâim não são os jardins cultuados de maneira tradicional, mas sim os recantos, onde só os sacerdotes podem entrar, nos quais as plantas crescem de maneira selvagem, quase sem controle. Orixá de grande significação, pois todos os rituais importantes utilizam o "sangue-escuro" que vem dos vegetais, seja em forma de amassis, infusões ou para uso de bebida ritualística. É comum dentro da Umbanda existir um certo preconceito com dois Orixás que muitas vezes são esquecidos, mais existem em Umbanda e se faz necessário o culto: Ossâim e Oxumarê. O primeiro está presente em todos os rituais através das folhas e o segundo presente em quase todos os rituais por ser o Orixá das cores e dos aromas. Por não terem sido muito divulgados, pensa-se serem orixás de Candomblé, grande erro. Dois orixás de grande valia dentro do culto de Umbanda. Segundo lendas, Ossâim era o dono de todas as folhas e era necessário que os Orixás dependessem dele para obter certas folhas e certos sumos.
Como os orixás raramente se submetem a qualquer tipo de autoridade, a rebelião se fez e Iansã com seus ventos espalhou as folhas de Ossâim, fazendo com que cada Orixá pegasse a sua de acordo com sua esfera de atribuições. Mas muitas ervas e plantas ainda continuam sob o domínio de Ossâim, e mesmo as que hoje estão sob domínio dos outros orixás, ainda necessitam de certas rezas e preceitos que só Ossâim conhece.

ONILÉ

 
Foto: ONILÉ


Onilé é uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente exercia seu patronato sobre tudo o que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça, a pesca e a própria fertilidade. Com as transformações da sociedade Yorubá numa sociedade patriarcal ou patrilinear, que implicou a constituição de linhagens e clãs familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, as mulheres perderam o antigo poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oyá e Ogum, os homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres). Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma nova divisão de trabalho entre os Orixás. As divindades femininas antigas tiveram então seu culto reorganizado em torno de entidades femininas genéricas, as Iyami Oxorongás, consideradas bruxas maléficas pelo fato de representarem sempre um perigo para o poder masculino. Vários Orixás tiveram divididas entre si as atribuições de zelar pela Terra: o subsolo ficou para Olwuaye e para Ogum, o solo para Orixá Oko e Ogum, a vegetação e a caça para os Odés e Ossanha e assim por diante. A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às divindades femininas, já que é a mulher quem dá a luz, que reproduz e dá continuidade à vida. Constituiriam-se elas então em Orixás dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e permite a vida: são as Yabás Oxum, Yemanjá, Obá, Oyá, Ewá e também Nanã, que como antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela água.
Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primitiva. É a base de sustentação da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de vista da concepção religiosa de universo, os devotos a ela pouco recorrem, pois seu culto não trata de aspectos particulares do mundo e da vida cotidiana, preferindo cada um dirigir-se aos Orixás que cuidam desses aspectos específicos. Na Nigéria mantém-se viva a ideia de que Onilé é a base de toda a vida, tanto que, quando se faz um juramento, jura-se por Onilé. Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para selar o juramento, para lembrar que tudo começa com Onilé, a Terra Mãe, tanto na vida como na morte.
Um mito ensina qual é a atribuição principal de Onilé, como ela está associada ao chão que pisamos e sobre o qual vivemos, nosso mundo material. Assim conta o mito:


Onilé era a filha mais recatada e discreta de Olodumaré. Vivia trancada na casa do pai e quase ninguém a via. Quase nem se sabia de sua existência. Quando os Orixás, seus irmãos se reuniam no palácio do grande Pai para as grandes audiências, em que Olodumaré comunicava suas decisões, Onilé fazia um buraco no chão e se escondia, pois sabia que as reuniões sempre terminavam em festa, com muita música e dança ao ritmo dos atabaques. Onilé não se sentia bem no meio dos outros. Um dia o grande deus mandou os seus arautos avisarem: haveria uma grande reunião no palácio e os Orixás deviam comparecer ricamente vestidos, pois ele iria distribuir entre os filhos as riquezas do mundo e depois haveria muita comida, música e dança. Por todos os lugares os mensageiros gritaram esta ordem e todos se prepararam com esmero para o grande acontecimento. Quando chegou por fim o grande dia, cada Orixá dirigiu-se ao palácio na maior ostentação, cada um mais belamente vestido do que o outro, pois este era o desejo de Olodumaré. Yemanjá chegou vestida com a espuma do mar, os braços ornados de pulseiras de algas marinhas, a cabeça cingida por um diadema de corais e pérolas e o pescoço emoldurado por uma cascata de madrepérolas. Oxóssi escolheu uma túnica de ramos macios, enfeitada de peles e plumas dos mais exóticos animais. Ossanha vestiu-se com um manto de folhas perfumadas. Ogum preferiu uma couraça de aço brilhante, enfeitada com tenras folhas de palmeira. Oxum escolheu cobrir-se de ouro, trazendo nos cabelos as águas verdes dos rios. As roupas de Oxumaré mostravam todas as cores, trazendo nas mãos os pingos frescos da chuva. Iansã escolheu para vestir-se um sibilante vento e adornou os cabelos com raios que colheu da tempestade. Xangô não deixou por menos e cobriu-se com o trovão. Oxalá trazia o corpo envolto em fibras alvíssimas de algodão e a testa ostentando uma nobre pena vermelha de papagaio. E assim por diante.
Não houve quem não usasse toda a criatividade para apresentar-se ao grande pai com a roupa mais bonita. Nunca se vira antes tanta ostentação, tanta beleza, tanto luxo. Cada Orixá que chegava ao palácio de Olodumaré provocava um clamor de admiração, que se ouvia por todas as terras existentes. Os Orixás encantaram o mundo com suas vestes. Menos Onilé.
Onilé não se preocupou em vestir-se bem, não se interessou por nada, não se mostrou para ninguém e recolheu-se a uma funda cova que cavou no chão. Quando todos os Orixás haviam chegado, Olodumaré mandou que fossem acomodados confortavelmente, sentados em esteiras dispostas ao redor do trono. Ele disse então à assembléia que todos eram bem vindos. Que todos os filhos haviam cumprido seu desejo e que estavam tão bonitos que ele não saberia escolher entre eles qual seria o mais vistoso e belo. Tinha todas as riquezas do mundo para dar a eles, mas nem sabia como começar a distribuição. Então Olodumaré disse que os próprios filhos, ao escolherem o que achavam o melhor da natureza, para com aquela riqueza se apresentar perante o pai, eles mesmos já tinham feito a divisão do mundo. Então Yemanjá ficava com o mar, Oxum com o ouro e os rios. A Oxóssi deu as matas e todos os seus bichos, reservando as folhas para Ossanha. Deu à Iansã os raios e a Xangô o trovão. Fez Oxalá dono de tudo que é branco e puro, de tudo que é o princípio, deu-lhe a criação. Destinou a Oxumaré o arco íris e a chuva. A Ogum deu o ferro e tudo o que se faz com ele, inclusive a guerra. E assim por diante. Deu a cada Orixá um pedaço do mundo, uma parte da natureza, um governo particular. Dividiu de acordo com o gosto de cada um. E disse que a partir de então, cada um seria o dono e governador daquela parte da natureza. Assim, sempre que um humano tivesse alguma necessidade relacionada com uma daquelas partes da natureza, deveria dar uma oferenda ao Orixá que a possuísse. Pagaria em oferendas de comida, bebida ou outra coisa que fosse da predileção do Orixá. Os Orixás, que tudo ouviram em silêncio, começaram a gritar e a dançar de alegria, fazendo um grande alarido na corte. Olodumaré pediu silêncio, ainda não havia terminado. Disse que faltava ainda a mais importante das atribuições. Que era preciso dar a um dos filhos o governo da Terra, o mundo no qual os humanos viviam e onde produziam as comidas, bebidas e tudo o mais que deveriam ofertar aos Orixás. Disse que dava a Terra a quem se vestia da própria Terra. Quem seria? perguntavam-se todos? "Onilé", respondeu Olodumaré. "Onilé?", todos se espantaram. Como, se ela nem sequer viera à grande reunião? Nenhum dos presentes a vira até então. Nenhum sequer notara sua ausência. "Pois Onilé está entre nós", disse Olodumaré e mandou que todos olhassem no fundo da cova, onde se abrigava, vestida de terra, a discreta e recatada filha. Ali estava Onilé, em sua roupa de terra. Onilé, a que também foi chamada de Ilê, a casa, o planeta. Olodumaré disse que cada um que habitava a Terra pagasse tributo a Onilé, pois ela era a Mãe de todos, o abrigo, a casa. A humanidade não sobreviveria sem Onilé. Afinal, onde ficava cada uma das riquezas que Olodumaré partilhara entre seus filhos Orixás? "Tudo está na Terra", disse Olodumaré. "O mar e os rios, o ferro e o ouro, os animais e as plantas, tudo", continuou. "Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco íris, tudo existe porque a Terra existe, assim como as coisas criadas para controlar os homens e os outros seres vivos que habitam o planeta, como a vida, a saúde, a doença e mesmo a morte".Pois então, que cada um pagasse tributo a Onilé, foi a sentença final de Olodumaré. Onilé, Orixá da Terra, receberia mais presentes que os outros, pois deveria ter oferendas dos vivos e dos mortos, pois na Terra também repousam os corpos dos que já não vivem. Onilé, também chamada Aiê, a Terra, deveria ser propiciada sempre, para que o mundo dos humanos nunca fosse destruído. Todos os presentes aplaudiram as palavras de Olodumaré. Todos os Orixás aclamaram Onilé. Todos os humanos propiciaram a mãe Terra. E então Olodumaré retirou-se do mundo para sempre e deixou o governo de tudo por conta de seus filhos. Assim, este mito de modo didático e com muita beleza, situa o papel de Onilé no panteão dos deuses Yorubás. Como é estrutural nos mitos, o tempo da narrativa não é histórico, dando a impressão de que os cultos dos diferentes Orixás foram instituídos a um só tempo, num só ato do supremo Deus. A narrativa enfatiza, contudo, a concepção básica da religião dos Orixás, isto é, que cada Orixá é um aspecto da natureza, uma dimensão particular do mundo em que vivemos. Eles são o próprio mundo, com suas forças, elementos, energias e propriedades. Mundo este que tem por base Onilé, a Terra, o planeta que habitamos, o nosso lar no universo. Na África Yorubá, Onilé ocupa lugar central no culto da sociedade masculina secreta Ogboni. Louvar Onilé é celebrar as origens. Por isso, quando aparecem junto aos humanos, os antepassados egunguns saúdam Onilé, lembrando-nos que ela é anterior a tudo, mesmo às linhagens mais antigas da humanidade. Onilé é assentada num montículo de terra vermelha, que representa o coração da Terra, que é trazida de dentro do solo pelas formigas. Há uma quartinha com água, pois não há vida na Terra desprovida de água. A quartinha dentro da terra simboliza que a água vem de dentro da Terra e que é assim a primeira dádiva de Onilé.
A água que jorra do solo, forma os regatos, rios, lagos e o próprio mar, de onde sobe para as nuvens e se precipita em chuva, voltando ao solo e subsolo, num ciclo permanente de propiciação da vida. O assentamento é coberto com moedas e búzios, que entre os antigos iorubanos era dinheiro, representando toda a riqueza e prosperidade que está na Terra, que dela extraímos e na qual vivemos. Vermelho e marrom, cores da terra, são as contas apropriadas para colares que homenageiam Onilé. Na África, os sacrifícios feitos a Onilé incluem caracóis, aves fêmeas e tartarugas. No Brasil, a legislação pune como crime inafiançável o sacrifício de animais ameaçados de extinção e, por isso, a tartaruga é substituída pela cabra. Aliás, matar um animal em extinção seria uma ofensa imperdoável à Onilé, que é a própria natureza, a grande Mãe da ecologia. Além desses animais, dá-se para Onilé tudo o que a terra produz e que o homem transforma: obis, orobôs e todas as demais frutas, inhame e outros tubérculos, feijões, milho, favas, mel, dendê, sal, vinho e tudo mais que vem da terra pela mão do homem. Onilé, isto é, a Terra. Tem muitos inimigos que a exploram e podem destruí-la. Para muitos seguidores da religião dos Orixás, interessados em recuperar a relação Orixá-natureza, o culto de Onilé representaria a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há em seu mundo. Pois é Onilé quem guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida de tudo o que vive: as plantas, os bichos e a humanidade.

Onilé é uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente exercia seu patronato sobre tudo o que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça, a pesca e a própria fertilidade. Com as transformações da sociedade Yorubá numa sociedade patriarcal ou patrilinear, que implicou a constituição de linhagens e clãs familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, as mulheres perderam o antigo poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oyá e Ogum, os homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres). Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma nova divisão de trabalho entre os Orixás. As divindades femininas antigas tiveram então seu culto reorganizado em torno de entidades femininas genéricas, as Iyami Oxorongás, consideradas bruxas maléficas pelo fato de representarem sempre um perigo para o poder masculino. Vários Orixás tiveram divididas entre si as atribuições de zelar pela Terra: o subsolo ficou para Olwuaye e para Ogum, o solo para Orixá Oko e Ogum, a vegetação e a caça para os Odés e Ossanha e assim por diante. A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às divindades femininas, já que é a mulher quem dá a luz, que reproduz e dá continuidade à vida. Constituiriam-se elas então em Orixás dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e permite a vida: são as Yabás Oxum, Yemanjá, Obá, Oyá, Ewá e também Nanã, que como antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela água.
Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primitiva. É a base de sustentação da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de vista da concepção religiosa de universo, os devotos a ela pouco recorrem, pois seu culto não trata de aspectos particulares do mundo e da vida cotidiana, preferindo cada um dirigir-se aos Orixás que cuidam desses aspectos específicos. Na Nigéria mantém-se viva a ideia de que Onilé é a base de toda a vida, tanto que, quando se faz um juramento, jura-se por Onilé. Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para selar o juramento, para lembrar que tudo começa com Onilé, a Terra Mãe, tanto na vida como na morte.
Um mito ensina qual é a atribuição principal de Onilé, como ela está associada ao chão que pisamos e sobre o qual vivemos, nosso mundo material