A pineal e o esoterismo
Do ponto de vista
esotérico, a glândula pineal funcionaria como um
"terceiro olho", isto é, como uma zona - um chacra - localizada acima e
entre os olhos, zona esta que seria responsável pelas nossas
intuições
transcendentes, pela nossa
expansão de consciência.
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O "terceiro olho" nos animais inferiores era uma realidade e tinha um a razão
de ser, mas no Homem é uma concepção mística, esotérica, nada tem de
científica
Imagem extraída de José Antonío García Segovíano y Rafael
Campos Rodríguez Internet.
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Interessante notar que, desde milhares de anos, a pineal está presente na
escala dos vertebrados, dizem alguns estudiosos. Sobre ela foi dito:
"(...)
No limite da ciência moderna é considerada fotossensitiva, paralelamente é
psicosensível, pois a meditação transcendental realça suas funções. Só uma
coincidência? Talvez, porém, assombrosa." (
Jose Antonío García
Segovíano y Rafael Campos Rodríguez . La Glándula Pineal y sus
Efectos en el Sistema inmunológico. Maio/Junho-1997-Internet).
Certamente, há uma assombrosa coincidência ante a admissão, pela remota
Antigüidade, da função da pineal como
terceiro olho, misticamente
concebida pelos esotéricos e a existência, real, de um 3.º olho remanescente,
fotossensível, nos animais inferiores; entretanto, a nossa discordância na
concepção esotérica é o fato de querer-se
materializar um aspecto do
Homem que é eminentemente
espiritual e, em pleno século XXI, atribuir-se
funções espirituais,
misticamente, a uma
glândula com funções
ainda obscuras, mas, certamente, com caráter
físico e
químico
indubitáveis, isto é, nada espirituais...
A pineal e os filósofos
Acreditamos em que a glândula pineal
não é a "sede da alma", como
muitos confrades advogam, baseando-se em leitura ligeira de PLATÃO; porque, a
concepção platônica de
imortalidade da alma não tem nenhuma relação com
aspectos materiais, ela é eminentemente
metafísica, basta que se estude a
Doutrinas das Idéias do filósofo grego...
O filósofo RENÉ DESCARTES, este sim, defendeu a tese de que na pineal estaria
a
sede da alma... Nos últimos dos seus trabalhos publicados durante sua
vida, saiu a lume, em novembro de 1649, poucos meses antes de sua morte (cf.
IVAN LINS. DESCARTES – Época, vida e Obra. Liv. São José Edit., 2 ed., Rio de
Janeiro – GB, 1964, p. 340). Esta última obra foi intitulada
Tratado das
Paixões da Alma. Aqui e numa carta a MEYSSONIER, médico de Lyon, disse
DESCARTES sobre a pineal:
“A razão que me leva a crer seja essa glândula a sede da alma é não
encontrar, em todo o cérebro, nenhuma outra parte que não seja dupla
[grifos nossos]. Ora, não vendo senão uma única cousa com os dois olhos, não
ouvindo senão um mesmo som com os dois ouvidos, e, enfim, não tendo nunca senão
um pensamento ao mesmo tempo, é absolutamente necessário que as impressões, que
nos chegam através dos olhos, dos ouvidos, etc., se unam em alguma parte do
corpo para serem aí consideradas pela alma.”
E o grande filósofo conclui a sua argumentação:
“Ora, não podemos encontrar nenhuma outra nestas condições, em toda a
cabeça, senão a glândula pineal, que se acha, além do mais na situação
mais adequada para esse fim, isto é, no meio, entre todas as concavidades,
sustentada e cercada por pequenas ramificações das carótidas, que trazem os
espíritos (a)
ao cérebro”.
(a)- Os espíritos, na concepção de DESCARTES, eram as partes mais sutis e
voláteis do sangue (cf. op. cit., p. 341).
Enfim, as idéias de RENÉ DESCARTES, apesar de arrojadas para o seu tempo,
baseadas
anatomicamente, demonstram que o grande sábio errou
redondamente, pois sabemos hoje que a glândula pineal não é a única que não é
dupla, pois também a HIPÓFISE também é ímpar,única, no centro do cérebro... A
propósito, disse JULES SOURY sobre DESCARTES neste particular:
“Tal sábio pode ter errado, tanto quanto Aristóteles, no atinente à sede
da alma. Fez, contudo mais, a propósito da teoria das sensações, das paixões e
da inteligência, do que os mais exatos anatomistas e os fisiologistas de
qualquer tempo.” (cf. op. cit., p. 340).
Portanto, prezados confrades, a tese dos filósofos citados quanto à
localização da sede da alma não têm nenhuma sustentação na realidade
anatômica nem fisiológica, erraram os filósofos neste particular...
A pineal e a concepção espírita
A
alma - Espírito encarnado - não tem localização precisa em nenhum
órgão de nosso corpo [a propósito, sugerimos que se leia, com atenção, as
respostas das questões 140 e 141 de
O Livro dos Espíritos (OLE)] e,
especificamente, a questão 146 de OLE é bem esclarecedora, na qual KARDEC
pergunta:
A alma tem, no corpo, uma sede determinada e circunscrita ?
E a resposta da Espiritualidade Superior não nos deixa dúvidas:
— Não. Mas ela se situa mais particularmente na cabeça,
entre os grandes gênios e todos aqueles que usam bastante o pensamento e
no coração dos que sentem bastante, dedicando todas as suas ações
à Humanidade.”(grifos nossos).
Conclui-se, doutrinariamente, que a alma
não deve ser localizada,
anatomicamente, pois neste particular não há nenhuma relação entre
cabeça
e
coração. Além disso, não devemos confundir
fluidos vitais
(
matéria quintessenciada) com
Espírito (cf. resp. à questão 146-A
de OLE).
Outros confrades querem atribuir à pineal a função de
"centro da
mediunidade", baseados em informes mediúnicos, não-controlados pelo
criterium da
concordância universal dos ensinos dos Espíritos.
Também esta é uma
teoria que, a nosso ver, não tem nenhuma sustentação
científica e
filosófica... Se a mediunidade baseia-se nos
"fluidos" perispirituais, e na sua combinação, por que
localizá-la? E,
numa glândula?!
Materialmente!!
O padre QUEVEDO afirmava haver um
local de captação hiperestésica de
sons, estímulos visuais, etc. - que independeria de distância; tal local seria o
epigástrio, ou seja, aquela região conhecida popularmente como
boca do
estômago. Dizia o "parapsicólogo", inconseqüentemente:
"(...) A importância do epigástrio deve ser destacada em Parapsicologia. A
hiperestesia é especialmente freqüente nesta região do corpo." (QUEVEDO,
OSCAR GONZÁLEZ.
A Face Oculta da Mente. Ed. Loyola, 6 ed., São Paulo,
1965, p. 59).
A tese do padre QUEVEDO é literalmente
indigesta e a dos confrades,
relacionando
mediunidade com glândula pineal, acima referida, muito se
assemelha à do padre, difere somente na
localização... Em nosso
modo de entender, ambas são errôneas e sem nenhuma
constatação
científica...
As teses do Dr. SÉRGIO FELIPE DE OLIVEIRA, de São Paulo, por exemplo, não
resistem a uma análise com o mínimo de
rigor científico... Muito citado
no movimento espírita como “cientista” e “pesquisador da pineal”, suas
afirmações, as mais banais, são CONTRADITÓRIAS e, por vezes,
PSEUDOCIENTÍFICAS... Assim, ora ele diz que a pineal
“não se calcifica”
(cf. resposta numa entrevista a PAULA CALLONI DE SOUZA , do IPPB (Instituto de
Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas), na Internet, quando perguntado: “É
verdade que a pineal se calcifica com a meia-idade? E essa calcificação
prejudica a mediunidade?”
”
Não, a pineal não se calcifica – afirmou o Dr. SÉRGIO FELIPE
-
; ela forma cristais de apatita, e isso independe da idade. Estes cristais
têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes
cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não ter nada.
Percebemos, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na
pineal, ele tem mais facilidade de seqüestrar o campo
eletromagnético.(...)”. E ora o Dr. SÉGIO FELIPE afirma o contrário, isto é,
que a pineal “
se calcifica”, como aconteceu em sua entrevista na Cidade
do Porto, Portugal, publicada no JORNAL DE ESPIRITISMO (órgão da Associação de
Divulgadores de Espiritismo de Portugal – ADEP, ano I , n º 2, Janeiro /
Fevereiro de 2004, pág. 11, quando perguntado se “A glândula pineal altera-se
com a idade”? Eis a resposta do contraditório pesquisador:
“De facto, ocorre a biomineralização da glândula pineal,
ela
calcifica-se. (...)”.
Tal contradição é inconcebível num homem que se diz “pesquisador”!! Mas, não
é só isso, seus argumentos são
pseudocientíficos; por exemplo: ele afirma
que teria encontrado
“cristais de apatita” na pineal em suas “pesquisas
científicas”, como se tivesse descoberto a pólvora!... Ora, a APATITA é, por
definição, “fosfato de CÁLCIO NATURAL, hexagonal, contendo flúor e cloro, que se
encontra nas rochas eruptivas ou metamórficas e no TECIDO ÓSSEO”, basta que se
consulte um bom dicionário ou uma boa Enciclopédia... Ou seja, a APATITA é
componente NATURAL de QUALQUER tecido ÓSSEO, ou seja, é um sinal de
CALCIFICAÇÃO. Portanto, a PINEAL CALCIFICA-SE, SIM, e isto é um indício
relevante de que a glândula está em INVOLUÇÃO... Basta que se radiografe o
crânio de uma pessoa para que lá encontremos a PINEAL, calcificada; ou seja, a
componente APATITA na pineal é conhecida há muitos anos, não é resultado de
pesquisa recente e muito menos do pesquisador Dr. SÉRGIO FELIPE DE OLIVEIRA...
Não há nada de místico nos cristais de apatita, como as elucubrações
contraditórias e pseudocientíficas do Dr. SÉERGIO FELIPE faz pressupor aos
desavisados...
Concluindo, é nossa opinião, a
glândula pineal é um órgão em
involução, em
extinção no Homem; pois na evolução física deste, ela vem
perdendo, progressivamente, as funções que exerciam e exercem nos animais
inferiores. É um órgão de
pouco peso no Homem, tanto anatômica quanto
fisiologicamente e isso nos parece mais ou menos claro, pois a sexualidade e
reprodução do Homem atual não precisam ser controladas por um órgão; o Homem
possuindo o
livre-arbítrio, não necessita de
cio e pode,
perfeitamente, controlar a reprodução.
A Providência Divina é sábia e um órgão em extinção em vez de, aparentemente,
contrariar a perfeição divina, vem confirmar que tudo se liga e se encadeia,
harmoniosamente, na Natureza...
As indagações da Sra. ELIANA FERRER foram sucintas e simples, mas a nossa
resposta tinha de envolver aspectos científicos complexos, numa visão
pluridimensional do Homem; parece-nos que deveríamos sempre avaliar os
fenômenos humanos, sob esta visão do todo.